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APRESENTAÇÃO

A leitura da palavra não é apenas precedida pela leitura do mundo, mas por uma certa forma de “escrevê-lo” ou de “reescrevê-lo”, quer dizer, de transformá-lo através de nossa prática consciente. Paulo Freire, em A Importância de Ler.

Caro(a) leitor(a), por meio deste módulo você terá um breve conhecimento sobre a Leitura Literária.
No decorrer dos estudos, aprenderá a diferenciar um texto literário de outro que não pode ser entendido como literatura. Conhecerá também as razões pela escolha do trabalho com a leitura literária e o que a diferencia de outros tipos textuais para que possa atuar melhor como mediador(a) de leitura.

Ao longo deste fascículo, você será capaz de identificar quais são os gêneros literários e a sua classificação. Em seguida, entenderá como funciona o ato de ler e as dimensões da leitura que perpassam muitos outros aspectos além do texto impresso. Desta forma, irá descobrir o porquê da leitura ser um instrumento de mudança social a partir da interação leitor-texto.
Você compreenderá também a contribuição da leitura literária para a formação leitora e o que faz esse tipo de texto ser tão especial e mais adequado para desenvolver o prazer de ler, o gosto pela leitura. Mágico, não é?

Ao final, entenderá como esse gosto da leitura literária acompanha e estimula o desenvolvimento da prática leitora e como essas práticas podem criar condições para a formação de leitores mais críticos.
Espero, sinceramente, que a partir de agora o seu olhar diante de uma obra literária seja outro, muito mais afetivo e disposto à aventura da entrega e do deleite que somente a experiência com a linguagem literária pode nos oferecer. Está preparado(a)?
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AFINAL, O QUE É MESMO ESSA LITERATURA?


A pergunta aparentemente singela traz uma dúvida bastante antiga de filósofos, estetas, críticos e historiadores. É por essa razão que qualquer tentativa de respondê-la, de forma genérica, poderia nos fazer cair em erro, pois quando se fala em Literatura, ainda não há um consenso, portanto, mesmo os estudiosos preferem dizer somente sobre o seu conceito, evitando, assim, a armadilha de sua possível definição. Vejamos:

Desde a Antiguidade Clássica, já se perguntavam: o que é literatura? Esse vocábulo é originário do termo, em latim, littera que significa: “arte de escrever” e era utilizado para designar o ensino das primeiras letras. Ao escrever a Poética, Aristóteles diz: “a arte literária é mimese da realidade”. Posteriormente, este conceito foi revisto por Alfonso Reyes que defende mimese ser uma “imitação de presença subjetiva, correspondente à coerência ou semelhança entre a casa que o arquiteto constrói e a que vislumbra em sua mente”. Desta forma, mimese não seria uma cópia, mas recriação em que o poeta (re-)cria, com seus próprios meios – a sua linguagem – um mundo à imagem e semelhança do mundo real, porém que só existe na experiência verbal.

É importante lembrar que o conceito aristotélico se refere apenas à poesia, uma vez que a prosa literária como conhecemos, hoje, (conto, romance, novela e crônica) ainda não era cultivada.
A partir do século XX, se irradiou a importância da ficção como característica da Literatura por meio dos estudos de I. A. Richards, R. Ingarden, Günther Müller, W. Kayser, R. Wellek e Manfred Kridl. As origens desse conceito de Literatura como ficção remontam a Lessing e Goethe. Por isso, podemos dizer que Literatura é ficção se entendermos esses conteúdos como compostos das “imagens” deformadas e transfundidas do mundo real. Desta maneira, se admite a equivalência entre imaginação e ficção.

A arte literária se define, portanto, como expressão dos conteúdos da imaginação, conforme um duplo movimento de representação em que essas imagens ora seriam representações objetivas, ora representações sensíveis da realidade expressas, muitas vezes, por meio de metáforas.
Nas últimas décadas, esse conceito tem se consolidado com contribuições de importantes críticos como Tzvetan Todorov, Christopher Butler, Alvin B. Kernan e Stanley E. Fish. Assim, se entende que a literatura, e por extensão a arte literária, não se reduz a um mero texto de raso entretenimento, mas como bem exemplificou Massaud Moisés:

A Literatura constitui uma forma de conhecer o mundo e os seres humanos: convicta de ser acionada por uma “missão”, ela colabora para o desvendamento daquilo que todos nós, conscientemente ou não, perseguimos durante a existência. E, portanto, se a vida de cada um corresponde a um esforço persistente de conhecimento, superação e libertação, à Literatura cabe um lugar de relevo, como ficção expressa por meio de vocábulos polivalentes. (MOISÉS, 2012, p.28)

Diante do que foi salientado, você pode ainda perguntar: mas por que especificamente o trabalho com a leitura literária é importante? Por que a escolha pelo texto literário e não outro? A resposta é: porque a leitura literária provoca e exige variados mecanismos de compreensão, podendo o texto literário dar vazão às mais variadas leituras, dependendo das potencialidades, características e gostos de cada indivíduo que o lê, justamente porque ele não apresenta restrições ou finalidades definidas e, sobretudo, por ser a linguagem literária multisignificativa, dialógica, capaz de provocar emoções diferentes em um mesmo leitor, dependendo, por exemplo, da sua leitura e/ou releitura.

Para Rangel, quanto mais produtivo for o diálogo provocado pelo texto no leitor, mas proficiente será a leitura. Essa característica aplica-se diretamente à leitura literária porque:

[...] o texto comporta uma concepção que não se esgota nele mesmo, mas no diálogo que provoca com o leitor. O diálogo será tanto mais produtivo quanto mais o texto puder possibilitar condições de identificação do leitor com ele, considerando que o autor, ao criar o texto, não tem objetivo de conformar o leitor, mas de tê-lo como coprodutor, parceiro, dando-lhe também possibilidades de criar outros textos. A obra, então, não é apenas um objeto que apresenta uma visão de mundo acabado, mas um espaço que pode contribuir na formação do leitor reflexivo (RANGEL, 2009, p. 27).

Outro aspecto relevante a se considerar é que a leitura literária sempre irá exigir mais do leitor, seja pela observação ao ritmo de um poema ou aos traços psíquicos de determinada personagem, ou mesmo observando o que diz o narrador ou, ainda, percebendo o discurso semioculto contido nas entrelinhas da narrativa. É por isso que os mecanismos cognitivos utilizados ao se ler um texto literário são maiores e, por conseguinte, exigem maior compreensão por parte do leitor. Por essa razão, muitas pessoas não compreendem determinados textos ou autores por os considerarem difíceis ou, ainda, por não compreenderem sua mensagem. Dizem logo: “não gosto desse livro”, “não gosto desse autor!”

Entretanto, essa opinião pode mudar a partir do instante em que esse(a) leitor(a) iniciar um esforço individual de compreensão leitora ou quando puder contar com uma figura que pode fazer a diferença nesse processo de compreensão e reflexão textual, que é o mediador de leitura.


PUXANDO PROSA



Literatura ou Bibliografia?

Agora, atenção: se a obra literária pressupõe a leitura, nem todo texto escrito se classifica como literário. Em razão de um mal-entendido que passou a considerar literário todo e qualquer texto impresso que se destina à leitura, fala-se em “literatura médica”, “literatura política”, “literatura automobilística” etc. Entretanto, o que observamos com isso é um erro em razão da extensão do sentido da palavra “literatura”. Neste caso, o correto seria utilizar o termo “bibliografia” e deixar a Literatura para definir o tipo de texto em que, por meio da arte, a linguagem expressa seja pela palavra escrita, seja ela falada, não apenas um meio de comunicação, mas um objeto de admiração, como espaço da criatividade.


OS GÊNEROS LITERÁRIOS

Todos os gêneros são bons, afora o gênero tedioso.
Voltaire


Este é um tema que interessa não apenas para a Teoria da Literatura, mas também para a História e Filosofia. Isso, em parte, se deve ao fato de que as doutrinas acerca dos gêneros literários se confundem com o início da história da Estética, da Filosofia e da própria crítica literária.
A estrutura clássica compreendia três gêneros (Lírico, Dramático e Épico). Hoje, entretanto, quando à sua classificação, podemos dizer que os gêneros se dividem em: Prosa e Poesia.

Essa atual classificação dos gêneros literários marca a expressão de dois modos fundamentais de o escritor ver o mundo e nos situarmos perante a realidade. O primeiro, a prosa, voltado para fora e o segundo, a poesia, para dentro. Ao lado deles temos as espécies e as formas. Para entendermos melhor, vejamos o quadro explicativo abaixo:


Ao contrário do que este quadro pode parecer, os gêneros literários e as suas respectivas espécies e formas não são estruturas fixas e estagnadas. Esta é apenas uma sugestão de organização, proposta por Massaud Moisés, em que não se exclui a ideia de que cada gênero pode incluir componentes de outro gênero, de uma de suas espécies ou formas. Ficaram de fora deste quadro, gêneros como o Teatro, a Crônica, o Ensaio, a Fábula, o Apólogo, entre outros, por se tratarem de formas híbridas ou paraliterárias. De nenhum modo, estas são consideradas menores e/ou menos literárias. Apenas, respeitamos aqui os postulados da escolha teórica do crítico mencionado anteriormente.

É importante que, ao trabalharmos com a leitura dos gêneros literários, possamos utilizá-los levando em consideração toda a sua potencialidade e não apenas trabalhar exclusivamente seus aspectos formais.

É muito comum encontrarmos os gêneros literários nos livros didáticos como sendo textos narrativos desestruturados em que quando se trata, por exemplo, de poesia, são trabalhados apenas os aspectos que se referem ao conceito de estrofes, verso, rima, desprezando a mensagem de seu conteúdo. Em outra circunstância, este mesmo gênero é usado apenas para fins ortográficos ou gramaticais, mais uma vez, levando os leitores ao esvaziamento do texto e se prendendo apenas aos aspectos formais que rapidamente são decorados para, em seguida, serem esquecidos.

Portanto, somente a partir do momento em que nós, leitores, estivermos prontos para uma transformação de nossa prática leitora no que diz respeito à leitura literária, quando nos sensibilizarmos e acreditarmos que a leitura é o caminho que nos leva a mundos infinitos, dentro e fora de cada um de nós, aí, sim, estaremos propiciando uma compreensão adequada da literatura seja ela em qualquer gênero.

PUXANDO PROSA


Durante a Antiguidade Clássica, a divisão feita por Aristóteles classificava as obras literárias pertencentes ao gênero lírico quando o “eu” interior do poeta nos passava uma emoção ou um estado de espírito com forte carga subjetiva. Considerando o gênero dramático tínhamos, fundamentalmente, os conflitos das relações humanas representados por atores por meio de palavras e gestos.
Por fim, o gênero épico era uma narrativa de fundo histórico em que eram narrados os feitos históricos e os grandes ideais de um povo. A presença de um poeta observador voltado para o mundo exterior conferia a este gênero bastante objetividade.


O ATO DE LER E AS DIMENSÕES DA LEITURA


Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se
faz um livro, um governo, ou uma revolução; alguns dizem mesmo que assim é que a natureza compôs as suas espécies.
Machado de Assis, no conto “Primas de Sapucaia”

Nós sabemos que a leitura não se limita a uma simples decodificação de códigos e linguagens, ela vai além, pois o leitor precisa interagir com o que lê, atribuindo sentido às coisas. Dessa maneira, a leitura é um ato abrangente que articula as várias dimensões do ser humano: imaginativa, sensorial, afetiva, intuitiva, inteligível, cultural, lógica etc. Essas dimensões articuladas com o desenvolvimento cognitivo do pensamento, a partir do ato de ler, faz descortinar um novo horizonte na vida do indivíduo que, através do texto, se transforma em leitor(a) e amplia sua compreensão de mundo. Assim, a leitura promove também o desenvolvimento intelectual, podendo ressignificar a vida pessoal do sujeito, possibilitando a abertura de novos caminhos e perspectivas, resultado das dimensões proporcionadas pelo verdadeiro papel da leitura e dos profissionais nela inseridos.

Para Magda Soares, “o ato de ler tem sido ao longo da história uma prerrogativa das camadas dominadoras; sua assimilação pela camada de base popular denota a vitória de um elemento indispensável não somente à preparação cultural, como ainda à modificação de suas categorias sociais”. (2004, p.48) E isso ocorre porque, historicamente, os livros são usados como ferramentas contra a alienação cultural, política e social. Outrora, também já foram queimados, em razão do caráter insubmisso de seus conteúdos para as estruturas ditatoriais vigentes que, um dia, já consideraram obras como, por exemplo, Gabriela, Cravo e Canela, de Jorge Amado, subversiva.

Percebemos, com isso, que a prática da leitura sofre modificações de acordo com as transformações da sociedade. A humanidade cresce, expande seus horizontes e os livros impulsionam esse avanço a depender da sua proposta educativa.

Conforme Paviani, “ler é uma competência óbvia e necessária para qualquer profissional, e a arte de ler demanda reflexão e uma certa dose de solidão, a fim de percorrer os segredos de um texto, que é capaz de oferecer o prazer de descobrir o ser das coisas ou as artimanhas da razão”. (2003, p. 113) Ele acrescenta ainda que os leitores de literatura são aqueles que sabem buscar a plenitude dos saberes, o conhecimento que ultrapassa as definições e as classificações da ciência e os minguados dados de uma informação objetiva. De fato, quem lê cria a possibilidade de efetivar o ato de conhecer e, portanto, além de aprender, adquire consciência de que está aprendendo. Em outras palavras, para Paviani, a pessoa que adquiriu a competência da leitura tende a se tornar autônoma em seu pensamento e, assim, não depende das opiniões dos outros para formular suas próprias ideias.

A mediação da leitura literária se refere a diferentes práticas de aproximação entre leitores e textos literários. Nas últimas décadas, ações e políticas públicas têm buscado garantir a constituição de acervos literários em bibliotecas, escolas e demais espaços públicos, a exemplo do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE) ou, ainda, do exitoso Programa de Alfabetização na Idade Certa (PAIC). No entanto, diferentes estudiosos têm apontado que a constituição de acervos bibliográficos não basta para a efetiva formação de leitores.
Quando dedicamos atenção aos contextos escolares, por exemplo, verificamos que, muitas vezes, como observa Magda Soares, desenvolve-se uma “escolarização inadequada” da literatura, quando a mediação não é feita com propriedade. Com essa inadequação, a escola acaba por distorcer a literatura e distanciar os alunos das práticas de leitura literária. Observamos isso quando professores utilizam o texto literário apenas para o ensino da gramática normativa ou em contextos transdisciplinares, de forma isolada. Por exemplo, utilizar o Iracema, de José de Alencar, nas aulas de Geografia e História para tratar, somente, da paisagem e/ou da sociedade cearenses.

Não quero, com isso, dizer que estas práticas escolares devem ser evitadas, pelo contrário, devem e merecem ser desenvolvidas, mas não de formas isoladas sem envolver experiências que contribuam para o encontro entre os leitores e a arte literária. Esse encontro se dá com a linguagem, as nuances da narrativa e com o estilo do autor.

E se pensarmos o papel dos professores nesse processo como nossos primeiros mediadores de leitura, percebemos a importância dessa ação desempenhada por cada um deles na construção de uma sociedade menos alienada e passiva diante de seus opressores. Mas, para que isso aconteça, é fundamental que esses docentes também sejam leitores e não permaneçam distantes das experiências literárias.
Afinal, aquele que desempenha a importante tarefa de mediação da leitura literária, sendo professor, bibliotecário, educador social, agente voluntário, entre outros, se coloca no entre-lugar de aproximação do leitor e do livro e precisa dialogar intimamente com o texto literário seja na escola, na biblioteca, no clube de leitura, na associação, no grêmio estudantil, na igreja ou até mesmo em sindicatos.

Através da leitura literária, o ato de ler tem dimensões e possibilidades muito mais profundas. Pois, se a leitura visa criar a consciência da realidade humana por meio da compreensão, interpretação e transformação do mundo, então, a leitura literária pode ser usada pelos mediadores de leitura como um instrumento de imaginação, afetividade e raciocínio para a formação crítica do indivíduo.


PUXANDO PROSA


O que é a literatura para você?
Você se lembra de suas primeiras viagens literárias? Como foram?
Seus professores obrigavam você a ler ou não? Como eles apresentaram os textos literários para você? O que lhe pediam: fichas de leitura, trabalhos sobre livros lidos, redações?
Como isso lhe marcou?
Se você já atua como mediador, como acredita que a leitura literária pode ser um instrumento de afetividade?


A LEITURA LITERÁRIA E A SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A FORMAÇÃO LEITORA

Os livros não mudam o mundo,
quem muda o mundo são as pessoas.
Os livros só mudam as pessoas.
Mário Quintana


Como vimos, a leitura literária corrobora para a vida social por ser capaz de constituir uma prática questionadora do mundo organizado, propondo outras direções de vida e de convivência cultural. Neste sentido, a leitura literária contribui para a formação leitora ao estabelecer com o texto lido uma interação prazerosa de criticidade através do emprego da literatura. O gosto da leitura acompanha o desenvolvimento da prática leitora do sujeito. Em sociedades ágrafas, circulam textos literários orais, através de brincadeiras com sons das palavras, contações de histórias, além das criações de imagens desenhadas ou esculpidas. Essas práticas ocorrem também, hoje, entre sujeitos alfabetizados ou não, o que permite que se amplie o universo da interação leitor-texto. Tais ações também podem servir de estímulos para a prática leitora, tendo como ponto de partida e chegada o texto literário.

A leitura literária tem seu espaço bem marcado em nossa sociedade e, muitas vezes, aparece inicialmente vinculada ao espaço escolar onde, infelizmente, nem sempre é praticada de forma satisfatória. Graça Paulino, refletindo sobre a leitura literária na escola, alerta:

Como a leitura na escola é ensinada e aprendida de forma ligada a diversos discursos e gêneros textuais, especificidades da leitura literária convivem com as de outros tipos de leitura, como a científica, a filosófica, a informativa. Essas leituras, embora diversas e requerendo estratégias diferentes dos leitores, têm pontos em comum, que podem ser trabalhados por professores e alunos. Leitura alguma sobrevive bem como prática cultural, quando censurada ou tolhida por autoridades do Estado, da família ou da escola. Especialmente a leitura literária requer liberdade, cujo único limite é o respeito pela leitura do outro, que pode apresentar suas singularidades. (PAULINO, p. 56, 2007)

Nesse sentido, algumas questões podem ser abordadas quanto à importância do trabalhar-se com a leitura literária:

  • Quais as implicações desse tipo de texto que o fazem especial, ou mais adequado, para desenvolver o gosto pela leitura?

  • O que envolve o trabalho com o texto e a leitura literários?

A leitura literária é capaz de capacitar o(a) leitor(a) a produzir inferências e ler o que está nas entrelinhas, nos intervalos entre as palavras, naquilo que não está escrito. Assim, a leitura literária traz, para o universo do leitor, possibilidades novas de sentido, colocando em questão suas verdades, desestabilizando-o e levando-o a reestruturar-se.

O envolvimento com o texto e a leitura literários implica liberdade. Isso significa que não podemos ir direto ao texto com ideias pré-estabelecidas ou inalteráveis, pois ao invés de ir pensando junto com o autor, o(a) leitor(a) acaba se fechando, somente para aquilo que acredita, transformando a leitura numa atividade difícil. Se acreditarmos que o mundo está absolutamente completo, que nada mais pode ser feito, a leitura não nos faz sentido algum. É preciso, então, tornar a atividade da leitura significativa. Cabe, então, ao mediador da leitura literária criar condições para a formação de leitores capazes de experienciar toda a força humanizadora da literatura, não bastando apenas ler, até porque não existe uma leitura simples, assim como também não há uma que seja impossível.


DESAFIO


Baseado no que você aprendeu aqui, é preciso criar um estado de espírito ideal para se “receber” o que vem com o texto literário, de forma a usufruir ao máximo do que ele pode nos oferecer. Procure ler mais sobre o tema, converse com colegas e nos mande suas impressões.


ANTES DE VIRAR A PÁGINA...


Assim, finalizamos este fascículo, acreditando que você, a partir de agora, dispõe de um conjunto de informações que pode ajudá-lo no melhor desenvolvimento da sua formação como mediador de leitura. Não pretendemos fechar o leque das possibilidades para novas reflexões acerca deste tema, mas, sim, estimular seus estudos sobre a Leitura Literária. Desta forma, esperamos contribuir para a sua reflexão e para o seu exercício enquanto agente fomentador da prática leitora.

Mas, atenção: a presença da leitura literária, por si só, nas práticas de mediação de leitura, não garante que os leitores vão ler com proficiência.
Os leitores, seja por qualquer suporte (livro impresso, tablets, smartphones) ou em qualquer lugar (casa, escola, clube), familiarizam-se com a leitura literária, ao mesmo tempo em que se encaminham para uma concepção ampla do fenômeno literário, a ponto de compreendê-lo de forma artística, mas também de maneira crítica e até política. Desse modo, acreditamos que construindo uma sociedade leitora, teremos também uma sociedade mais justa, solidária e participativa!


REFERÊNCIAS

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ASSIS, Machado. Obra Completa, vol. II, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
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REYES, Alfonso. La Crítica en la Edad Ateniense, México: El Colegio de México, 1941.]
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AUTOR(A) E ILUSTRADOR(A)



Maria Lílian Martins de Abreu (Autora)

É graduada em Letras Português, Espanhol e suas Literaturas pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com especialização em Ensino de Língua Espanhola pela Faculdade Stella Maris e MBA em Jornalismo Político, Marketing e Comunicação Midiática pela Universidade do Parlamento Cearense. É mestre em Literatura Comparada pela UFC. É responsável pela apresentação e produção do programa literário semanal “Autores e Ideias” da Rádio FM Assembleia (96,7 MHz) vinculada à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará desde 2007. Foi professora tutora do Instituto UFC/Virtual - UAB e, atualmente, trabalha no Núcleo de Educação a Distância do Centro Universitário Ateneu (UniAteneu).


Rafael Limaverde (ilustrador)

É ilustrador, chargista e cartunista (premiado internacionalmente) e xilogravurista. Formado em Artes Visuais pelo Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Ceará (IFCE). Escreve e possui livros ilustrados nas principais editoras do Ceará e em editoras paulistas.