MÓDULO 11 | Instrumentos possíveis para uma intervenção nas cidades - Parte I
O presente módulo tem como objetivo apresentar reflexões acerca da Educação Patrimonial ou Educação para o Patrimônio, como possibilidade de intervenção das pessoas nas cidades, aproximando os principais referenciais teóricos dessa área de atuação.
Apontaremos ainda por aqui o uso de algumas ferramentas como os inventários participativos e sugerimos algumas atividades e jogos que despertem a atenção para as discussões acerca do tema. Legal, não é?
Lembremos que o patrimônio está em todo lugar. Não está separado ou distante da nossa vida cotidiana. Localiza-se onde os sentidos, sentimentos e experiências de vida dos diferentes grupos sociais afloram, criando relações de pertencimento e identidades.
Muitos de nós habitamos em pequenas, médias ou grandes cidades. Nelas, estabelecemos diálogos com múltiplos sujeitos com quem compartilhamos lembranças, memórias e sentimentos, comuns ou não, e determinamos as referências culturais representativas para nós. E é nesse momento que nós definimos o que merece ser guardado, protegido e valorizado.
Hora de praticar. Você mesmo, neste momento, pode conversar com um familiar, um vizinho, um colega da escola, aquele amigo da infância, e buscar registrar em uma folha de papel, pessoas, coisas e manifestações de seu bairro, de hoje ou dos tempos de sua meninice.
Essas lembranças podem ser reconhecidas como referências culturais ou patrimônios que representaram ou ainda representam a sua comunidade.
O termo Educação Patrimonial foi incorporado no Brasil a partir dos textos produzidos pela museóloga Maria de Lourdes Parreiras Horta, na década de 1980, como uma transposição do conceito inglês Heritage Education. Foi definido como “um processo permanente e sistemático de trabalho educacional centrado no Patrimônio Cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo.” (HORTA, GRUNBERG e MONTEIRO, 1999, p. 6). Seus princípios metodológicos foram muito utilizados nos museus de História e de Arte, além de difundidos por meio de publicações do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).
Tempos depois, alguns dos seus pressupostos começaram a ser questionados por vários estudiosos, sobretudo no que se refere à ideia de promover uma “alfabetização cultural” dos indivíduos a partir da observação dos objetos, museus e paisagens antropizadas.
Denise Grispum foi uma das primeiras a formular novas proposições para o desenvolvimento de uma Educação para o Patrimônio (2000). Embora essa terminologia não tenha sido largamente incorporada aos textos acadêmicos e documentos técnicos produzidos no âmbito do Iphan e de outros órgãos de preservação do patrimônio, suas proposições metodológicas, como a de mediação, foram consideradas e amplificadas nos últimos 20 anos, como veremos a seguir.
Não é possível conhecer o patrimônio cultural apenas a partir de uma visão contemplativa: intervir nele é urgente! Principalmente no processo de sensibilização para que outras pessoas possam se relacionar com a cidade, identificando seus patrimônios de forma crítica, refletindo acerca dos significados que marcam muitos momentos da história de nossas cidades.
É onde entra o nosso papel de mediador(a) de educação para o patrimônio, ou seja, de agente responsável por estabelecer diferentes estratégias que auxiliarão na construção de significados individuais e coletivos no encontro entre os bens culturais e seus detentores.
Agindo assim, assumimos a nossa função de poliglotas culturais, como afirma Varine (2012), nos adaptando a públicos distintos, independentemente de seu grau de instrução e origem social, utilizando linguagem adequada e acessível, mas sempre determinada, encorajadora e sensibilizadora. Exemplifiquemos: as edificações (casas, prédios, monumentos) podem conter várias informações sobre o contexto histórico de uma determinada época, como as técnicas de construção, o estilo arquitetônico e as formas de ser e de viver utilizados no passado. Uma manifestação cultural, como as rodas de capoeira, o cortejo de maracatu, a xilogravura etc., pode revelar os modos de viver, saberes locais e costumes que se enraizaram e se reconstruíram ao longo de um tempo. Logo, o patrimônio ajuda a caracterizar um contexto sociocultural, as identidades individuais e coletivas, como pode transmitir valores para as próximas gerações. A educação para patrimônio, portanto, é um instrumento importante para uma intervenção nas cidades, por nos fazer entender que os bens culturais são testemunhos de quem fomos, de quem somos e de quem queremos ser.
Para desenvolver atividades efetivas de educação para o patrimônio, o ideal é que elas se integrem à vida das pessoas desde seus primeiros momentos de existência.
Discutimos e repetimos aqui muitas vezes que o reconhecimento e a preservação de patrimônios não cabem apenas ao poder público. Devemos atuar como educadores na comunidade, fazendo com que ela se aproprie desses patrimônios e exerça o seu poder de resguardar, transmitir e ressignificá-los, deixando de lado uma postura passiva das lamentações por vê-los abandonados e/ou quase destruídos. Não é isso o que assistimos nas redes sociais quando se noticiam a derrubada daquele imóvel antigo e raro? Lamentos e pronto. Só isso?
A educação patrimonial ou para o patrimônio deve ser, desse modo, um mecanismo importante na construção da cidadania, por ser uma prática que se preocupa em assegurar que os habitantes da cidade tenham voz e desempenhem o seu papel de protagonistas na construção do conhecimento e de ações relacionados às suas memórias e histórias.
E qual a diferença entre memória e história? Baseados no pensador francês Pierre Nora (1993), podemos entender que esses termos não são sinônimos, embora tenham semelhanças, pois ambos são dimensões da produção humana que lidam com lembranças, esquecimentos e identidades (individuais e coletivas).
A memória, no entanto, é uma ação vivenciada no cotidiano, espontaneamente atualizada no tempo presente, aberta à dialética da lembrança e do esquecimento, vulnerável a manipulações, que precisa de múltiplas modalidades de lugares (materiais e imateriais) para tomar forma. É o reino do absoluto. Já a história é uma ação intelectual, escrita, que possui métodos de produção, demanda análise e discurso crítico. É atualizada no presente como uma reconstrução sempre problemática e incompleta do pretérito. Pode usar a memória como fonte de pesquisa, além de outros documentos. Deve fazer emergir lembranças e esquecimentos simultaneamente e, sobretudo, não deve estar a serviço de manipulações de qualquer natureza.
Quando as atividades dentro das instituições não formais de educação (como os museus) começaram a ser sistematizadas, a concepção pedagógica predominante enxergava a educação patrimonial como um instrumento de alfabetização cultural.
É comum ouvirmos falar: (1) para proteger o patrimônio cultural é necessário fazer com que as pessoas conheçam esse patrimônio; ou (2) as pessoas não preservam o patrimônio por que não o conhecem.
É comum ouvirmos falar: (1) para proteger o patrimônio cultural é necessário fazer com que as pessoas conheçam esse patrimônio; ou (2) as pessoas não preservam o patrimônio por que não o conhecem.
No decorrer do curso, certamente você percebeu que, quando essas frases se referem a “proteger”, “preservar” e “conhecer” o patrimônio cultural, não significa que se reportem apenas ao patrimônio consagrado, aquele já tombado ou registrado pela Unesco, pelo Iphan, ou pelos estados e/ou municípios. Lembre-se sempre que as comunidades são sujeitos ativos dos processos de patrimonialização. Nós e os membros de outros grupos sociais aos quais não pertencemos, elaboramos e construímos outras narrativas além daquelas que já foram reconhecidas por “especialistas” no âmbito dos órgãos oficiais de preservação.
Para começar, e isso você já está fazendo, é preciso compreender o que é patrimônio (material, imaterial, natural) e qual a sua importância, além dos meios e caminhos necessários para a sua preservação.
Então, concluímos que as atividades de educação para o patrimônio não devem ser voltadas para “alfabetizar culturalmente” as pessoas. Elas não são organizadas objetivando levar o conhecimento “mais correto” ou imposto ao outro. A postura que defendemos aqui é a da promoção da diversidade, ou seja, quando diferentes pessoas e grupos sociais possam ser sujeitos ativos, produtores e protagonistas da cultura, entendida como plural, promovendo conhecimentos em torno dos bens patrimoniais, de forma coletiva e dialógica (TOLENTINO, 2016).
Logo, temos que repensar algumas práticas que convencionamos denominar como “as mais apropriadas” para trabalhar com o patrimônio cultural. Entre elas, as visitas aos “bens tombados”, aos chamados “centros históricos” ou “monumentos” das cidades. Não podemos nos restringir apenas a elas.
Hora de praticar.
Assumindo o seu papel de mediador(a) de educação para o patrimônio, faça um exercício: em duplas ou trios, delimite um perímetro (o seu bairro, por exemplo, ou uma parte dele) e saia caminhando por sua cidade. Comece a mapear e fotografar alguns bens materiais (casas, escolas, praças, comércios, instituições públicas) e imateriais (grupos artísticos e suas manifestações, ofícios etc), mesmo aqueles que você sabe que não foram tombados ou registrados pelos órgãos oficiais de preservação do patrimônio.
A partir desse levantamento, monte um mapa com pegadas (utilizando as fotos colhidas), para que outras pessoas possam seguir esse roteiro das pegadas e se deparar com os bens identificados pela equipe. Em cada um deles, coloque uma “plaquinha” que sinaliza sua importância. Vamos lá? Certamente você terá muitas surpresas.
Você sabia que, em 1936, durante a elaboração do anteprojeto de Mário de Andrade para a criação do Sphan (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), já havia a preocupação com uma formação pedagógica voltada para o patrimônio, sobretudo nos museus?
A educação não serve apenas para instruir, informar. Os usuários do patrimônio devem fazer parte de um processo no qual sejam levados a refletir sobre o que estão conhecendo. Naturalmente, falar de patrimônio não é garantir consensos. É compreendê-lo como uma construção social, realizada num campo de tensões, acordos e conflitos. Somente assim é possível dar sentido a ele como potencial transformador da realidade.
É importante que todos os cidadãos, ao se depararem com um bem cultural, estejam aptos a problematizá-lo, usando diversas chaves de interpretação, que vão além de uma perspectiva estritamente pedagógica. Para despertar o interesse no patrimônio cultural, a mensagem para você, agora mediador(a), é relacioná-lo com o cotidiano das pessoas, levando em consideração o contexto de vida dos muitos usuários dos bens culturais.
A educação patrimonial acontece a partir de vários métodos de trocas de saberes, a partir do encontro de diversos agentes, como os detentores de bens, especialistas do patrimônio ou profissionais de diversos campos do saber, por meio da interdisciplinaridade e transversalidade (SCIFONI, 2017).
Hora de praticar
Na atividade anterior, a missão era reconhecer e conhecer o patrimônio cultural de sua localidade, elaborando um mapeamento descritivo e compartilhando-o.
Agora, munidos deste mapa e com a equipe duplicada, pode-se fazer um trabalho mais cuidadoso e participativo, de modo que todos saiam da observação, entrando na ação.
Daí, que tal criar um ateliê de atividades, aberto e participativo?
Como? Respeitando as habilidades de cada participante (escrever ou desenhar bem, fotografar bem, realizar boas filmagens, performances etc). Assim, é possível construir um diário de bordo, em que os usuários percorrem o espaço, registrando com detalhes o que observaram. No final, marca-se um momento para que todos os envolvidos mostrem o que foi coletado, reunindo os conteúdos em um documento a ser disponibilizado para a consulta na biblioteca comunitária de seu bairro, da sua escola ou, quem sabe, na biblioteca oficial de seu município.
No caso das ações em escolas (públicas ou privadas), é possível pensar a educação patrimonial a partir do diálogo dos diferentes programas curriculares e projetos que discutam os conceitos de patrimônio, trabalhando o contexto dos alunos a partir de írculos concêntricos.
Isso exige dos educadores metodologias diferenciadas, aplicadas em diferentes níveis, a fim de que o patrimônio não sirva apenas como mera “ilustração” das aulas.
Isso exige dos educadores metodologias diferenciadas, aplicadas em diferentes níveis, a fim de que o patrimônio não sirva apenas como mera “ilustração” das aulas.
Educação patrimonial é um processo educativo, baseado em um conjunto de diferentes metodologias que devem levar em consideração as particularidades do público com quem vai se trabalhar, o lugar e os diferentes contextos, proporcionando aos educandos experiências diferentes das que vivem e não apenas se limitando a transmitir informações ou apresentar a eles apenas àquilo que é reconhecido e estabelecido oficialmente.
Sendo assim, não podemos dar um modelo ou uma receita de como fazer educação para o patrimônio, pois a educação é uma prática sociocultural (CHAGAS, 1999) que se inventa, se testa, se reelabora, sempre numa perspectiva dialógica entre todos os sujeitos que dela participam.
Entendamos assim que a educação não é difusão cultural, mas ação cultural. Ou seja, não se trata da transferência de conteúdo (mera exposição), mas da produção coletiva de sentidos e experiências.
Então, você pode se perguntar, qual o potencial das atividades educativas no campo do patrimônio cultural? Respondemos: esse é um campo possível para nos aproximar da pluralidade de olhares e de narrativas históricas e afetivas ou de conflitos sociais em torno dos diferentes bens culturais da cidade. É o lugar onde podemos ouvir as vozes dos detentores de tradições, com seus saberes e fazeres, servindo de instrumento ao direito à memória e à cidadania, permitindo que as comunidades se apropriem e usufruam do patrimônio como ferramenta de permanência e de fala.
No curso, muitas vezes falamos em detentores de bens culturais. E você já ouviu falar nos Mestres da Cultura do Ceará? No link a seguir você saberá quem é esse mestre da cultura, onde ele se encontra e o que ele faz. Se você residir em município do interior cearense, é capaz que cruze todos os dias com um deles e não saiba de sua importância para a comunidade: anuariodoceara.com.br/mestres-da-cultura-do-ceara/
Como insistimos sempre por aqui, a população pode definir o que ela entende como patrimônio cultural. Nesse sentido, foram criados os Inventários Participativos. E o que são? São instrumentos que garantem a escuta dos membros dessa população, permitindo que indiquem o que consideram ser o patrimônio da comunidade em que estão inseridos e, assim, forneçam o maior número de informações e documentos possíveis para a sua patrimonialização oficial.
Dessa forma, acreditamos que a comunidade se torna protagonista para inventariar, descrever, classificar e definir o que constitui o seu patrimônio, numa perspectiva dialógica do conhecimento, abarcando habitantes distintos, de gerações e atuações diferentes na comunidade.
O objetivo principal é exercitar a mobilização social, realizando reflexões acerca das referências culturais comunitárias.
O Inventário Participativo proposto pelo Iphan traz fichas estruturantes como:
Com base em metodologias já existentes no Iphan, sobretudo o Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), foi desenvolvido e disponibilizado, em 2012, o Inventário Pedagógico, fruto da participação do Instituto na atividade de Educação Patrimonial do Programa Mais Educação, da Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC). Esse instrumento foi idealizado para ser aplicado pelas escolas.
Acesse em: portal.iphan.gov.br/pagina/detalhes/582.
Em 2014, o Iphan lançou a publicação Educação Patrimonial: histórico, conceitos e processos, com a finalidade de estabelecer um marco institucional que referencia as ações e experiências desenvolvidas com o suporte técnico da instituição.
Confira em: portal.iphan.gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/Educacao_Patrimonial.pdf.
Depois, em 2016, foi publicado o manual Educação Patrimonial: inventários participativos. A partir das experiências com o Inventário Pedagógico foi proposta a metodologia do Inventário Participativo, a ser aplicada pelas comunidades interessadas na identificação e valorização dos seus patrimônios locais.
Acesse: portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/inventariodo patrimonio_15x21web.pdf.
Um exemplo exitoso de inventário participativo elaborado foi o que envolveu dois coletivos de cultura na cidade de São Paulo: o Movimento BaixoCentro e a Repep (Rede Paulista de Educação Patrimonial). Ambos se envolveram na revalorização da área central do munícipio, com a desativação do “Minhocão” (Elevado Presidente João Goulart) como via de tráfego e a implantação de projetos para dar novos usos ao espaço (se quiser ler sobre isso: repep.fflch.usp.br/gt-minhocao).
Para ajudar na realização de entrevistas, sugerimos as experiências do Museu da Pessoa, que produziu algumas publicações para divulgar sua Metodologia em Tecnologia Social da Memória. Ela está sintetizada em textos como:
E que tal fazer um inventário dos lugares dentro da sua escola, comunidade ou bairro?
A partir dos resultados, é possível montar uma exposição, um programa de rádio ou um jornal local. Vamos lá!?
Vamos relaxar um pouco agora e planejar uma visita a espaços urbanos reconhecidos ou não pelo poder público como patrimônio cultural material. É uma boa ideia, não é? Você conhece algum espaço assim na sua cidade ou em seu estado? Pode ser um museu, um parque, um jardim botânico, um sítio arqueológico. Depois de escolher onde acontecerá essa prazerosa visita, prepare-se para ser um(a) mediador(a) do patrimônio entre os seus convidados, sejam eles seus alunos, colegas, amigos ou familiares. Para isso, vamos lhe dar algumas dicas para seu roteiro para patrimônio cultural material:
Agora, vamos apresentar uma sugestão de roteiro exploratório para o patrimônio cultural imaterial.
Compreendendo agora que o patrimônio imaterial refere-se a práticas e domínios da vida social, que se manifestam em saberes, ofícios, modos de fazer, celebrações e formas de expressão (cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas), você conseguiria citar lugares do seu cotidiano que correspondem à cultura imaterial?
Você se lembra, a partir dos módulos anteriores, que os mercados e as feiras populares fazem parte da cultura do Brasil? Que a roda de capoeira, marginalizada durante grande parte da história do nosso país, foi reconhecida em 2008 como patrimônio imaterial brasileiro e, posteriormente, reconhecida pela Unesco, em 2014, como Patrimônio Imaterial da Humanidade?
Enfim, agora você deve planejar um roteiro de visitação que contemple itens do patrimônio imaterial reconhecidos ou não pelo poder público. Assim, como mediador do patrimônio, conduzirá um grupo por esse roteiro. Siga as dicas:
Visita Orientada x Visita Mediada
As visitas orientadas acontecem quando uma pessoa se desloca de um ambiente para o outro, temporariamente, para encontrar outra(s) pessoa(s) ou lugar(es). Nesse caso, costumam ser agendadas com antecipação, para que o(a) monitor(a) possa estar preparado(a) para atender o visitante. No caso dos museus e monumentos, usam-se também adjetivos agregados à visitação, como visita guiada ou monitorada, que pode dar uma ideia de que o visitante é um mero receptor de informações/orientações acerca do acervo e de como se comportar.
Já as visitas mediadas ampliam a visão educativa nessa atividade onde o(a) visitante é (ou deve ser) estimulado a participar ativamente na troca de conhecimentos inerente à atividade. O (a) profissional do museu apenas media a visita, sem ser o “único detentor(a)” do saber.
Contudo, em alguns casos, é pertinente o uso do termo “monitorado” ou “guiado” quando, por exemplo, em momentos de grande fluxo de visitação, há a preocupação maior com o “ordenamento” organizacional momentâneo, sem a preocupação direta e efetiva com a produção de conhecimento naquele instante.
Uma das dimensões contemporâneas para se trabalhar com o patrimônio cultural atualmente são os jogos e aplicativos. Eles criam oportunidades para acessarmos alguns valores patrimoniais e entendermos processos de patrimonialização de forma mais lúdica. Por isso, possuem grande apelo entre crianças e jovens, sejam em computadores, celulares, tabuleiros ou em formato de RPG.
Um desafio para os mediadores de educação para o patrimônio é pensar como podemos adaptar tais propostas para diferentes faixas etárias (crianças, jovens, adultos e idosos) e interesses (dos estudantes da educação básica, trabalhadores de equipamentos culturais, universitários, membros de organizações da sociedade civil, de associações, líderes comunitários etc). A seguir, dispomos alguns exemplos de jogos e aplicativos disponíveis no Brasil, que podem dinamizar e motivar incursões patrimoniais:
No próximo e último módulo de nosso curso, a segunda parte de Instrumentos possíveis para uma intervenção nas cidades, continuaremos a conversar sobre a temática, com mais dicas e sugestões práticas de mediação. Você não vai perder esse percurso, vai?
CHAGAS, Mário. Há uma gota de sangue em cada museu: a ótica museológica de Mário de Andrade. Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, 1999. (Cadernos de Sociomuseologia, 13).
DUARTE CÂNDIDO, Manuelina Maria. Educação patrimonial em variados territórios: relato de uma experiência itinerante. In: História e multidisciplinaridade: territórios deslocados. Anais do XXIV Simpósio Nacional de História; Associação Nacional de História – Anpuh. São Leopoldo: Unisinos, 2007.
FLORÊNCIO, Sônia Regina Rampim et al. Educação patrimonial: inventários participativos. Brasília/DF: IPHAN, 2016.
GRISPUM, Denise. Educação para o Patrimônio. Museu de Aate e escola. Responsabilidade compartilhada na formação de públicos. Tese em Educação. São Paulo: USP, 2000.
HORTA, M.L.P.; GRUNBERG, E.; MONTEIRO, A.Q. Guia Básico de Educação Patrimonial. Brasília: Iphan; Museu Imperial, 1999.
NORA, Pierre. Entre História e Memória – A problemática dos lugares. In: Projeto História. São Paulo: PUC, 1993, p. 7-28.
SCIFONI, Simone. Desafios para uma nova Educação Patrimonial. In: Revista Teias, v.18, n. 48, 2017, p. 5-16.
TOLENTINO, Átila Bezerra. O que não é educação patrimonial: cinco falácias sobre seu conceito e sua prática. In: TOLENTINO, Átila Bezerra; BRAGA, Emanuel Oliveira (orgs.). Educação Patrimonial: Políticas, relações de poder e ações afirmativas. In: Caderno Temático de Educação Patrimonial nº 5. João Pessoa: Iphan, 2016, p. 39-48.
VARINE, Hugues de. As raízes do futuro: o patrimônio a serviço do desenvolvimento local. Porto Alegre: Medianiz, 2012.
Adson Rodrigo Pinheiro é doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Licenciado em História pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Especialista em Gestão e Políticas Culturais da Universidade de Girona (Espanha), em colaboração com o Observatório Itaú Cultural/SP, e possui MBA em Gestão Cultural pela Universidade Vale do Acaraú (UVA). É especialista em Arqueologia Social Inclusiva pela Urca e especialista em Políticas Culturais de Base Comunitária pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) – programa IberCultura Viva, com sede na Argentina. É membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Patrimônio e Memória (GEPPM/UFC) e membro associado do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos-BRASIL). Atuou como gerente da Célula de Gestão em Pesquisa e Educação Patrimonial da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza.
Graciele Siqueira é museóloga formada pela Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Mestre em Museologia e Patrimônio pela UniRio em parceria com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast). Especialista em Gestão Cultural pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Trabalha no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc/UFC), desde setembro de 2008, desempenhando a função de museóloga e responsável pela Divisão de Acervo. Desde julho de 2018, ocupa a função de diretora do Mauc/UFC.Daniel Dias é ilustrador e artista gráfico, com extensa produção em projetos editoriais, sendo a maior parte destinada ao público infantil e infantojuvenil. Seu trabalho tem como base a pesquisa de materiais e estilos, envolvendo estudo de técnicas tradicionais de pintura, desenho, fotografia e colorização digital.