MÓDULO 12 | Instrumentos possíveis para uma intervenção nas cidades - Parte II
Diversos são os modos de habitar e viver as cidades, mas quando o que nos move é a perspectiva patrimonial, temos um olhar especial para os bens culturais que nela se encontram, dos quais fazemos parte e que vão nos formando identitariamente, como referências à nossa experiência e às memórias que construímos.
Na trajetória do patrimônio cultural brasileiro, algumas cidades foram reconhecidas como sítios históricos ou algumas edificações foram escolhidas como bens patrimoniais e ganharam proteção oficial imediata, garantidas por força da lei.
Muito se fez além do tombamento de bens materiais e do registro dos bens imateriais. Outras ações, sobretudo no campo da educação patrimonial, foram necessárias para que esses instrumentos de preservação se efetivassem.
As fundação do Iphan, a criação de legislação especifica, as políticas culturais pelo país afora, a recente criação do Ibram, o desenvolvimento de disciplinas e áreas profissionais – como a Museologia –, além de ações da sociedade civil e iniciativas como nosso curso Formação de Mediadores de Educação para Patrimônio, em EaD, que nessa primeira edição conquistou milhares de inscritos no país inteiro, compõem uma trajetória patrimonial que precisa ser vista, compreendida e continuada por nós e pelos que virão adiante, como aqueles que terão mediadores tão especiais como você.
E por falar em nosso curso, depois de percorrer, nos módulos anteriores, a trajetória do patrimônio cultural brasileiro, agora você poderá revê-la a partir de uma linha do tempo. Assim, poderá fazer uma revisão panorâmica da trajetória deste curso, revisitando alguns temas abordados.
Ao final desse percurso, proporemos algumas atividades que podem ser realizadas individualmente ou em grupo e ofereceremos dicas de páginas eletrônicas, redes sociais, projetos comunitários, filmes brasileiros ou estrangeiros sobre patrimônio cultural.
Assente-se, jovem educador(a), e vamos embarcar nessa viagem que está apenas começando...
Nós já vimos que a história do patrimônio foi construída a partir de importantes marcos políticos, sociais, econômicos e culturais da nossa sociedade. Tanto os agentes civis, quanto as instituições e os agentes públicos aos poucos se cruzaram e encontraram caminhos comuns que resultaram em conceitos, diretrizes e ações incorporadas ao longo do tempo. Perceba:
Sediada no Museu Histórico Nacional, a IMN foi criada a partir do Decreto nº 24.735/34. À frente da Inspetoria, o cearense Gustavo Barroso (1888-1959). Funcionou até 1937, quando o Sphan é criado.
Redigido pelo escritor e pesquisador paulistano Mário de Andrade (1893-1945), a pedido de Gustavo Capanema, ministro da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas, o anteprojeto apresentava uma perspectiva ampla da noção de patrimônio, incluindo a produção da cultural popular, a promoção de ações educativas em museus e a participação da comunidade na preservação dos bens patrimoniais.
O Decreto-Lei n.º 25/37, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, cria o Sphan e, com ele, o tombamento, instrumento de proteção dos bens materiais vinculados às elites nacionais. Nesse sentido, o Decreto acabou se distanciando do anteprojeto de Mário de Andrade.
Tido como o “cartão-postal” do patrimônio brasileiro, o local já havia sido declarado Monumento Nacional, desde 1933.
O Icom é uma organização não-governamental que mantém relações formais com a Unesco. Destaque para o Comitê Internacional para a Educação e Ação Cultural (Ceca)
O Icom Brasil passou a ter assento em diferentes foros e conselhos nacionais ligados à preservação e à promoção do patrimônio brasileiro.
Realizado no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Teve como finalidade discutir a função educativa dos museus, com ênfase nos serviços para a educação escolar.
As Casas do Patrimônio são espaços de interlocução do Iphan com as comunidades, promovendo ações educativas que visam fomentar e favorecer a construção do conhecimento e a participação social para o aperfeiçoamento da gestão, proteção, salvaguarda, valorização e usufruto do patrimônio cultural.
Um grupo de intelectuais, sob o comando do designer pernambucano Aloísio Magalhães (1927-1982), promoveu a atualização da discussão sobre o sentido da preservação e da ampliação da concepção de patrimônio.
Declarado pela Unesco, o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial.
A Secretaria de Cultura do MEC (Ministério da Cultura) propõe, por meio desse projeto, a aproximação da educação básica com os diferentes contextos culturais existentes no país, indicando que cultura e educação são esferas interconectadas.
O nome do Prêmio é uma homenagem ao advogado, jornalista e escritor mineiro Rodrigo Melo Franco de Andrade (1898-1969), membro do grupo dos modernistas e primeiro presidente do Sphan, de 1937 a 1967. A premiação reconhece ações de preservação do patrimônio cultural brasileiro que, em razão da sua originalidade, mereçam divulgação e reconhecimento público. Promovido pelo Iphan, é realizada anualmente, via edital, com criteriosa seleção. É concedido a empresas, instituições e cidadãos de todo o Brasil, contribuindo para apresentar a diversidade e a riqueza do patrimônio cultural nacional.
Aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, é referida como “Constituição Cidadã”. Trouxe em seu texto o conceito de patrimônio cultural, em seus artigos 215 e 216.
O período de 1937 a 1967 é chamado de Fase Heroica do Patrimônio, pois se fez o salvamento necessário da “pedra e cal”.
As principais frentes de “ação educativa” eram dadas pelo incentivo às publicações, como a Revista do Iphan, e o tombamento de exemplares da arquitetura civil, religiosa, militar e vernacular, sobretudo do período colonial.
Tornou-se uma referência nos trabalhos que envolvem ações educativas sobre as questões patrimoniais. O livro apresenta fundamentação teórica voltada para a salvaguarda do patrimônio cultural por meio de experiências e projetos desenvolvidos pelo Iphan. Esse material encontra-se disponível aos interessados no site do Iphan. Acesse: portal.iphan.gov.br/guia_educacao_patrimonial .
O Decreto instituiu o Registro de Bens Culturais de Natureza Imaterial que constituem Patrimônio Cultural Brasileiro e cria o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial (PNPI).
Trata-se do registro da Pintura Corporal e Arte Gráfica (Arte Kusiwa) da etnia Wajãpi, no Amapá. No ano seguinte, esse bem recebeu da Unesco o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. A Arte Kusiwa é um sistema de representação gráfico próprio dos povos indígenas Wajãpi, que sintetiza seu modo particular de conhecer, conceber e agir sobre o universo.
Lançada pelo Ministério da Cultura, em meio às comemorações do Dia Internacional de Museus. Os documentos básicos, após debate com a comunidade museológica, culminaram no lançamento do caderno Política Nacional de Museus: memória e cidadania.
Outras Redes de Educadores em Museus surgiram em diversos estados brasileiros, se inspirando na REM do Rio de Janeiro, que organizou encontros nacionais entre educadores e outros profissionais de museus para promover esses coletivos.
Primeira instância da área central do Iphan voltada para a Educação Patrimonial. Para consolidá-la, foi realizada a I Reunião Técnica, em Pirenópolis (GO). Desde 2009, funciona como Coordenação de Educação Patrimonial (Ceduc), vinculada ao Departamento de Articulação e Fomento (DAF/Iphan).
Reunião para discussão e proposição de parâmetros nacionais para ações de Educação Patrimonial do Iphan nas escolas, museus e outros espaços sociais, realizado na cidade de São Cristóvão, Sergipe, no Convento de São Francisco. Saiba mais sobre essa ação: portal.iphan.gov.br/I_encontro_nacional_de_educ_patrimonial.pdf.
Propõe uma formação interdisciplinar para a gestão do patrimônio cultural brasileiro, voltado aos jovens profissionais recém-graduados. São selecionados profissionais de todas as regiões do Brasil que, durante dois anos, desenvolvem pesquisa e trabalhos junto às Superintendências do órgão nos estados. Desde 2010, o PEP tornou-se um mestrado profissional em preservação do patrimônio cultural.
Primeira realização da política de educação patrimonial do Iphan nas Casas do Patrimônio, quando as diretrizes gerais desses espaços foram debatidas e consolidadas em âmbito coletivo.
O Prêmio tem como objetivo identificar e estimular os movimentos e as práticas educacionais dos museus.
Realizado em Nova Olinda (CE), na Fundação Casa Grande, a ação tinha como objetivo consolidar um campo de trabalho para as ações educativas de preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Autarquia federal dotada de personalidade jurídica de direito público com autonomia administrativa e financeira, vinculada à Secretaria Nacional de Cultura, com sede e foro na capital federal. Tem o papel de pensar e gerenciar políticas públicas para o campo museal no Brasil.
Reunião para pactuar as diretrizes no campo de Educação Patrimonial e fortalecer a rede de instituições e de profissionais atuantes na área educacional. Parceria entre o MEC (Ministério da Educação) e Iphan, para que o tema Educação Patrimonial integrasse o macrocampo Cultura e Artes do Programa Mais Educação, de Educação Integral.
Uma política conjunta entre MEC e MinC, aconteceu em Ouro Preto (MG).
Realizada no Rio de Janeiro, com o tema Museus (memória + criatividade) = mudança social.
A Portaria nº 137, de 28 de abril, do Iphan e das Casas do Patrimônio, tem o objetivo de organizar o conjunto de marcos referenciais para a educação patrimonial como prática transversal aos processos de preservação e valorização do patrimônio cultural.
Realizado na cidade de Fortaleza, entre os dias 8 e 11 de novembro, o Seminário revisitou a trajetória da elaboração e os caminhos da implementação da Política de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial do Brasil (lembra-se que falamos sobre a Carta de Fortaleza, há pouco?), bem como refletiu sobre os avanços e futuro dessa política. Também aconteceu nesse evento a reunião do Centro Regional para Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da América Latina (Crespial), da Unesco.
A Pnem reúne princípios, diretrizes e objetivos que foram definidos e construídos de forma coletiva, colaborando para a instituição da Portaria nº 422/17 do Ibram, e integrando o Caderno da PNEM, publicação que apresenta um breve histórico da educação museal no país, uma síntese de como ocorreu o processo de construção participativa da Pnem e conceitos-chave que devem conduzir o trabalho nesta área.
Hora de Praticar!
Que tal, a partir desse exemplo, criar duas linhas do tempo pessoais?
Sugerimos duas propostas:
O patrimônio cultural, como observamos ao longo do curso, é objeto de diversos olhares: professores e alunos de todos os níveis educativos; profissionais (designers, museólogos, bibliotecários, antropólogos, historiadores, arqueólogos etc); instituições culturais das mais variadas; investigadores de programas de pós-graduação; pessoas que moram em bens tombados ou no entorno deles; comunidades que intervêm para que algum lugar não seja apagado da memória citadina ou que criam ferramentas autossustentáveis para o seu reconhecimento; espaços físicos ou virtuais criados para evidenciar memórias; indivíduos que se reúnem e passam o ano inteiro preparando uma festa cuja “construção” lhes foi repassada por gerações anteriores; filhos que continuam o que os familiares mais velhos deixaram como saberes e ofícios etc.
Diante de tantos agentes, não podemos pensar uma educação patrimonial ou educação para o patrimônio reduzida apenas em um saber ou tão somente por uma única via de produção de conhecimento, privilegiando apenas um campo ou uma área que se quer legitimar como lugar de onde fala o “profissional do patrimônio”.
Portanto, não é possível pensar sobre a história de uma cidade restrita apenas aos chamados “centros históricos” ou aos museus. Essa visão é, no mínimo, equivocada, se partirmos de um conceito de patrimônio cultural mais abrangente e contemporâneo, que permite entender os bens patrimoniais ligados aos mais diversos territórios, edificações, objetos, conhecimentos, manifestações e paisagens, a partir da importância que eles têm para diferentes segmentos sociais, mesmo aqueles mais invisibilizados.
Logo, é importante para qualquer mediador(a) de uma educação para o patrimônio refletir sobre como as pessoas usam, vivem, convivem, enfim, se relacionam com as referências culturais que acabam interferindo na construção de suas identidades e memórias, individuais e coletivas. É a partir dessas questões que devemos pensar na construção de instrumentos para a intervenção em nossas cidades, de forma qualitativa.
A meta é despertar nas pessoas a vontade de participar das discussões acerca do patrimônio cultural e integrarmos às nossas atividades educativas as dimensões do viver cotidiano, fugindo não apenas de processos de retificação de símbolos e significados externos às nossas comunidades, como assumindo o compromisso de constituir um movimento coletivo e democrático em torno do pensar o patrimônio.
A produção ativa de saberes pelos detentores e sujeitos das referências culturais de uma localidade é o mais importante, pois assim é possível reconhecer essas referências atreladas aos sentidos da memória social local e suas particularidades frente a contextos socioculturais distintos.
Nesse sentido, devemos pensar atividades que primem pelo autoconhecimento comunitário, a partir da produção horizontal (compartilhada) de conhecimentos pelos diversos grupos sociais na dinâmica de habitar a cidade. Nessa dinâmica, não se deve refletir apenas sobre um passado distante, mas sobre o tempo presente e o devir (vir a ser), para garantirmos a preservação do que elegemos como patrimônio, com desenvolvimento sustentável.
Assim, devemos pensar ações que coloquem os membros das comunidades e coletivos em um lugar mais privilegiado. Ou seja, eles saem da situação de “recebedores” passivos de informações, para a condição de sujeitos (protagonistas) no mundo.
É preciso que abandonemos o modelo da “educação bancária”, tão criticado por Paulo Freire (1970), para outros em que o(a) educador(a), educando(a), poder público e comunidades participem de forma dialógica, articulada e comprometida para reconhecer e proteger o patrimônio cultural das cidades.
Partindo dessas premissas, poderíamos nos perguntar: que ferramentas podemos propor para estimular a gestão territorial e patrimonial? Ora, muitas delas fazem parte do nosso cotidiano, como o uso das redes sociais, leitura de blogs e o estímulo aos debates suscitados após assistir a boas produções audiovisuais. Essas possibilidades, claro, não substituem a visita aos museus, aos sítios históricos e aos bens tombados, ou ainda a vivência das manifestações culturais imateriais, mas servem para despertar nossa sensibilidade acerca do patrimônio, seja ele já reconhecido e consagrado pelas políticas públicas ou não.
Então, a partir dessas ideias, preste bastante atenção nas dicas a seguir.
Por onde começar quando se fala em Educação Patrimonial e seus instrumentos de aplicação?
Você entendeu, pelo acompanhamento e estudo de nossos módulos, que contamos com algumas instituições no Brasil responsáveis pelo desenvolvimento de políticas públicas para fins de proteção e salvaguarda do nosso patrimônio cultural, não é? Pois vamos reforçar o convite para que você conheça três páginas eletrônicas produzidas por essas instituições, nas quais encontrará legislações, documentos e material complementar sobre o tema. São elas:
Recomendamos ainda a navegação pelas páginas da Fundação Palmares, Biblioteca Nacional, Arquivo Nacional e Fundação Nacional das Artes (Funarte). Só assim iremos conhecer um pouco do nosso patrimônio e entender as políticas de estado para salvaguardá-lo. Na web, podemos descobrir quais instâncias públicas ficam responsáveis pelas políticas e ações em defesa do patrimônio em nossa cidade e estado, como as secretarias da cultura, da educação e/ou do turismo, estaduais e municipais.
As redes sociais são espaços singulares, cotidianos e diversificados, capazes de juntar diferentes produções ligadas à memória e às identidades. Quem nunca se deparou com pessoas no Facebook ou no Instagram divulgando fotografias, livros e documentos – antigos e/ou atuais – sobre bairros, cidades ou mesmo sobre personalidades e grupos sociais brasileiros? Você já pensou em propor atividades que promovam algumas reflexões sobre essas páginas? Pensar, a partir delas, o que costumamos lembrar ou esquecer quando evidenciamos um determinado lugar ou manifestação em detrimento de outros? Que discursos patrimoniais são mais recorrentes?
As redes acenam com novas possibilidades de entendimento e de informação sobre o patrimônio, bem como estimulam a nossa interação social. Facebook, Twitter, blogs e outros canais marcam experiências entre o mundo real e o virtual.
Encontramos pessoas que circulam com pensamento e interpretações parecidos e diferentes dos nossos, por meio de curtidas, compartilhamentos e comentários que acabam também julgando e definindo o que deve ser guardado ou protegido. Por isso, são lugares onde as palavras ganham inúmeros sentidos e significados. Que tal entrar em algumas páginas e conhecer o conteúdo disponibilizado por digitais influencers? Elencamos algumas.
Mais viciante do que Whatsapp, Instagram, as séries de streamings e as novelinhas de TV para você, mediador(a) de educação para patrimônio, será conhecer a vasta bibliografia à sua disposição gratuitamente no Portal do Iphan. Você pode fazer download e depois imprimir se quiser. E melhor: não tem fake news! Todos os autores são especialistas reconhecidos pelo Iphan. Com essa bagagem, acabou o discurso do “acho” ou “parece”, tá? Vamos lá! Clique em: portal.iphan.gov.br/publicacoes/.
Que tal criar a sua própria página, perfil ou blog com conteúdos sobre educação patrimonial ou sobre os patrimônios de seu bairro ou cidade? Mas é importante colocar essa ideia em ação quando conseguir traçar um planejamento de médio e longo prazo, pois muitos desses conteudistas criam páginas e não as alimentam, frustrando seus seguidores. Organize-se, peça contribuições e acredite no que faz.
O Brasil conta com formação acadêmica em diversos níveis – cursos de extensão, graduação, especialização, mestrado, doutorado – e em diferentes áreas relacionadas com o Patrimônio Cultural, como Museologia, História, Arqueologia, Conservação de Bens Móveis, Biblioteconomia, Arquivologia, entre outros.
Hora de Praticar!
Escolha uma instituição de preservação do patrimônio em seu município ou estado e trace um relatório, apontando: quais patrimônios são protegidos (tombados ou registrados) e por quê? Quais poderiam ser tombados ou registrados e ainda não são?
IMPORTANTE: quando falamos de patrimônio, não nos referimos apenas àqueles bens já consagrados, mas também àqueles ainda esquecidos!
Recomendamos que navegue, a seu tempo, pelas páginas eletrônicas das universidades públicas brasileiras. Elas são um mundo à parte e cheio de riqueza. Saiba o que elas andam produzindo e fique por dentro das principais discussões e produções teóricas do momento sobre patrimônio cultural.
Quanto aos filmes, quem disse que eles servem apenas para diversão e lazer? Eles, assim como os livros, podem assumir o papel de documento histórico e possuem caráter educativo não-formal. Que tal usá-los numa sessão “PiPa” (“Pipoca com Patrimônio”)?
O trabalho educativo com filmes deve se concentrar não somente na análise dos conteúdos técnicos e explícitos, como construção de personagens, figurinos, iluminação, sonorização etc. É importante pensar, sobretudo, nas condições e contextos de sua produção. Quando foi rodado? Por quem? Para quê? Para quem? Que valores e expectativas são difundidos por aqueles que o produziram (diretor, roteirista, produtores, atores)? Como foi ou é recebido pela sociedade (espectadores, críticos, acadêmicos)?
Aqui vamos sugerir algumas películas que discutem diretamente temas ligados à gestão do patrimônio, sejam ficcionais ou documentários. Vejamos:
Escolha um filme, assista com amigos, familiares ou seus alunos (antes, deve, naturalmente, ler sobre o filme, a história de produção, o contexto do período histórico abordado ou sobre o personagem, se for baseado em fatos, curiosidades etc.).
Evite dar spoiler para esse grupo!
Depois, proponha a produção de um mapa mental, anotando em um caderno, cartolina, lousa ou mesmo digitalmente em celulares, o tema central da obra, os principais personagens, enredo, música e diálogos que acharem interessante.
Analise e discuta os resultados apresentados. O mapa mental é uma técnica cujo objetivo é organizar as informações, tornando a compreensão e a memorização mais fácil e mais didática.
O elenco de filmes vai depender de sua criatividade, repertório e a capacidade de perceber o que pode ser de melhor proveito para despertar debates patrimoniais com os integrantes da plateia.
Partindo da necessidade de relacionar o patrimônio cultural com a comunidade, numa relação orgânica com o contexto social que lhe dá dinamicidade e forma, sugerimos a visitas aos museus, redes e escolas comunitários, que primam pela participação social, a identificação de valores patrimoniais e o respeito aos saberes locais.
Listamos algumas propostas para você conhecer, presencial ou virtualmente. Vamos lá?
Na África Ocidental, o griot ou griô, é aquele indivíduo (poeta, historiador, cantador, contador de história) que se ocupa de transmitir para os outros o seu conhecimento sobre os costumes, os conhecimentos, os mitos e as histórias dos povos. Por meio deles, ocorre a perpetuação da memória ancestral e a garantia da continuidade das tradições por meio do saber oral. Procure saber mais sobre os griôs e a pedagogia griô. PESQUISE!
Esse é o último fascículo do curso Formação de Mediadores de Educação para o Patrimônio. Parabéns, você chegou até aqui e esperamos ter contribuído para ENCANTÁ-LO(A).
Agora é a hora de se preparar para realizar, em nosso AVA, a Avaliação Final. Depois, é só partir para o abraço e a sua mais que merecida CERTIFICAÇÃO.
Entretanto, sugerimos que releia antes os 12 fascículos, dê aquela espiadinha nas videoaulas, nas webconferências e ouça as radioaulas. Não deixe de conferir, para enriquecer seu aprendizado, os conteúdos complementares disponibilizados na Biblioteca Virtual, a partir da seleção de nossos atentos e zelosos conteudistas.
Troque ideias com amigos e colegas que também fizeram o curso (virtualmente ou não). Enfim, prepare-se! Afinal, não é o certificado que fará de você um(a) mediador(a) de educação para patrimônio. É preciso ter conhecimento (estudar para o resto da vida... e curtir isso), iniciativa, coragem e gostar de gente, pois nada se faz sozinho(a) nessa área de atuação.
Após esses meses juntos, é chegada a hora de multiplicarmos o conhecimento construído e compartilharmos programas, projetos e ações que possam tornar o nosso mundo, a partir da valorização do Patrimônio Cultural, um lugar mais viável para vivermos, hoje e no futuro. É bem possível que, nessa estrada, nos reencontraremos. Nossa gratidão e até breve!
GRUNBERG, Evelina. Manual de atividades práticas de educação patrimonial. Brasília, DF: Iphan, 2007.
FLORÊNCIO, Sônia Regina Rampim. Educação patrimonial: um processo de mediação. In: TOLENTINO, Átila (Org.). Educação patrimonial: reflexões e práticas. João Pessoa: Superintendência do Iphan na Paraíba, 2012, p. 22-29.
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Graciele Siqueira é museóloga formada pela Escola de Museologia da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio). Mestre em Museologia e Patrimônio pela UniRio em parceria com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast). Especialista em Gestão Cultural pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA). Trabalha no Museu de Arte da Universidade Federal do Ceará (Mauc/UFC), desde setembro de 2008, desempenhando a função de museóloga e responsável pela Divisão de Acervo. Desde julho de 2018, ocupa a função de diretora do Mauc/UFC.
Adson Rodrigo Pinheiro é doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Licenciado em História pela Universidade Estadual do Ceará (Uece). Mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Especialista em Gestão e Políticas Culturais da Universidade de Girona (Espanha), em colaboração com o Observatório Itaú Cultural/SP, e possui MBA em Gestão Cultural pela Universidade Vale do Acaraú (UVA). É especialista em Arqueologia Social Inclusiva pela Urca e especialista em Políticas Culturais de Base Comunitária pela Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (Flacso) – programa IberCultura Viva, com sede na Argentina. É membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Patrimônio e Memória (GEPPM/UFC) e membro associado do Comitê Brasileiro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos-BRASIL). Atuou como gerente da Célula de Gestão em Pesquisa e Educação Patrimonial da Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza.
Daniel Dias é ilustrador e artista gráfico, com extensa produção em projetos editoriais, sendo a maior parte destinada ao público infantil e infantojuvenil. Seu trabalho tem como base a pesquisa de materiais e estilos, envolvendo estudo de técnicas tradicionais de pintura, desenho, fotografia e colorização digital.