
A porta do elevador se abriu, e, de repente, estava em uma estrada serpenteante em meio a uma campina florida, recebendo os primeiros e gentis raios de sol no rosto. O elevador desapareceu assim que a porta se fechou. Ao lado da estrada, havia uma mureta baixa de pedras, e, sentado sobre ela, tendo as costas para um bosque verdejante, um homem estava concentrado escrevendo algo em um pedaço de pergaminho, com uma pena extravagante e roupas mais extravagantes ainda, como se estivesse numa feira medieval. Presa à sua cintura, havia uma flauta. Após fazer um muxoxo enquanto olhava para o seu escrito, ele levantou os olhos, e seu rosto se iluminou.
— Finalmente alguém em busca de aventuras! Me permite seguir ao seu lado?
Antes de responder por impulso, fechou a boca e engoliu em seco, lembrando das palavras de Nergal. Se aquele fosse um desafio, deveria responder que sim? Ou seria essa uma mentira? O homem olhava ansioso, com um sorriso abobalhado nos lábios.
— Quem é você?
— Mil perdões! Como pude ser tão rude? Eu sou o poeta, e você? Como se chama?
— Eu não lembro meu nome. Você por acaso é um desafio?
— Oh, pelos deuses, não, não, não! Estou apenas tentando terminar um soneto, mas me falta a inspiração correta, por isso estava aguardando aqui a chegada de aventureiros, para poder me inspirar com seus atos de bravura!
— Pode me dar algumas informações? Eu não sei muito bem o que está acontecendo aqui...
— Eu também não! Essa estrada nem existia antes de você chegar. Há apenas alguns minutos, eu estava sentado num rochedo à beira-mar observando a violência das ondas e do mar revolto!
— Então você não pode me ajudar?
— Claro que posso! Essa estrada é a sua estrada, mas eu sou um poeta. Se você me disser o que procura, eu certamente saberei o que se encontra no final dessa vereda! Qual é a sua missão?
— Preciso encontrar o nome de um velho cego e achar o meu próprio nome, mas nesse momento eu estou em busca do meu reflexo.
— Mas é claro! Como eu não percebi antes? É tão óbvio. Essa é a estrada que leva à casa da bruxa, a senhora dos espelhos. Ela tem o poder de roubar o reflexo das pessoas quando elas não estão olhando e, com isso, rouba as suas memórias e poderes. Ela é imensamente poderosa, pois já roubou o reflexo de muitos heróis e deuses, mas dizem que possui uma fraqueza...
— Qual?
— Eu não faço ideia... Infelizmente. Mas eu sei que ela criou três cavaleiros para impedir que qualquer um se aproxime de sua casa, o que não passa de uma charada, uma piada de mau gosto, pois ela é imbatível. Talvez apenas não goste de ser incomodada... Ela é o maior desafio de todos, dizem que seu corpo é imune a qualquer arma.
— Huuum, eu começo a entender... Acho que descobri o enigma proposto por Nergal. Qual o seu nome, poeta?
— Eu não tenho nome, mas tenho uma profissão. A poesia é o que move a minha alma, mas não é o meu ganha-pão. Se você descobrir o meu nome, realizarei um serviço para você; isso se me deixar ir com você.
— Faça como quiser. Eu literalmente não tenho o dia todo.
(Continua…)

Após concluir o Módulo 4, o aprendiz deverá estar habilitado a compreender:

Blake definiu o artista como o sacerdote da imaginação, alguém que estava mais próximo da verdadeira visão intelectual do que o filósofo (Larsen, 1991). Campbell nos fala sobre a mitologia criativa que brota da inspiração de grandes artistas criativos, gigantes de espírito humano que criaram não uma, mas uma galáxia de mitologias criativas. Para ele, hoje, a “área geográfica” onde são gerados os mitos é o indivíduo “em contato com sua própria vida interior, comunicando-se por meio de sua arte com aqueles que estão ‘lá fora’” (Campbell, 2010). Em especial, ele cita James Joyce, o maior romancista do século XX, autor de Finnegans Wake e Ulisses. Joyce é uma influência fundamental para Campbell, além de igualmente ser aquele que ensina o que significa ser um artista criativo. É com base nos estudos de Campbell acerca da obra de Joyce que vamos seguir.
Uma das grandes obras de Joyce é Retrato do artista quando jovem, em que ele expõe as suas noções de arte, estética e criatividade — esse será o nosso ponto de partida. No referido livro, o jovem artista Stephen Dedalus explica a seu amigo Lynch a sua concepção de arte. A arte para Joyce se pauta pelo que Campbell chama de “divinamente surpérfluo”. Ele começa falando sobre pity and terror, piedade e terror, definidas como emoções trágicas.
Piedade “é o sentimento que faz parar o espírito na presença de algo que seja grave e constante no sofrimento humano e o une com o sofredor humano” (Joyce, 1987). Terror “é o sentimento que detém o espírito na presença de seja lá o que for que seja grave e constante no sofrimento humano e o liga à sua causa secreta” (Joyce, 1987). Ao usar a palavra “detém”, Joyce indica com clareza que as emoções trágicas são estáticas, induzem ao arrebatamento da alma (1).
O excitamento dos sentidos é algo meramente cinético e gera apenas desejo ou repulsa. E desejo e repulsa criam meramente “artes impróprias”: se a arte gera desejo, ela é pornográfica; se gera aversão, ela é didática, mas não arte propriamente dita. “A emoção estética (…) é, por conseguinte, estática. O espírito fica detido e suspenso acima do desejo e da repulsa” (Joyce, 1987). Aquilo que é meramente cinético gera apenas uma reação da nossa carne, de nosso sistema nervoso. Nada mais é do que sensação física e carece do fator crucial para Joyce: o arrebatamento estático, a suspensão dos pares de opostos.
(1) Exatamente a respeito das emoções trágicas de piedade e terror, Campbell (2010) escreve: “(…) uma arte propriamente trágica aponta ao que é grave e constante no destino do homem: o que não pode ser excluído por nenhuma mudança nas condições sociais, políticas e econômicas, mas que, se a vida deve ser afirmada, então aquilo deve também integrar tal afirmação. O que é secundário e contingente, e, portanto, talvez possa modificar-se, fica a cargo dos críticos sociais e sua arte cinética-didática”.
Assim, a arte, segundo definida por Joyce (1987), “é a disposição humana de matéria sensível ou inteligível para um fim estético”, compreendida como arrebatamento, onde a mente é aprisionada, e os opostos são suspensos. Examinando a noção platônica de beleza, que é associada à noção de verdade, Joyce (1987) tece uma diferenciação: “A verdade é contemplada pelo intelecto que é acalmado pelas mais satisfatórias relações do inteligível; a beleza é contemplada pela imaginação que é acalmada pelas mais satisfatórias relações do sensível”. Para se compreender a verdade, é preciso em primeiro lugar compreender o escopo e o encaixe do intelecto, compreender o próprio ato de intelecção (Joyce, 1987). Já para se compreender a beleza, é preciso primeiro compreender o escopo e o limite da imaginação, ou seja, compreender o ato de apreensão estética. Joyce aponta para uma compreensão estética apoiada numa compreensão psicológica, assim como afirma, na mesma passagem, que toda a filosofia de Aristóteles se sustenta sobre seu livro de psicologia De Anima, bem como sobre sua afirmação lógica de que “A” não pode ser “A” e ser “B” ao mesmo tempo.
Stephen Dedalus, em sua conversa com Lynch, reafirma sua compreensão psicológica da beleza com um exemplo dos mais interessantes. Ele aponta que a beleza feminina, ou aquilo que é apreciado como beleza feminina, varia grandemente entre diferentes povos e localizações geográficas. São tão diferentes as concepções de beleza, que parecem uma “confusão da qual não podemos escapar”, mas existem dois caminhos de saída dessa confusão, e o primeiro ele rejeita. Nessa primeira hipótese, as qualidades físicas admiradas nas mulheres estariam diretamente relacionadas às funções para a propagação da espécie: o belo seria definido por uma disposição biológica. Mas esta saída desagrada a Joyce, pois “ela conduz antes à eugenia do que à estética”. A segunda é uma hipótese psicológica, defendida por Dedalus: apesar de o conceito de beleza feminina variar grandemente, todos os que acham algo belo na mulher (mesmo que esse algo difira) encontram nessa admiração relações que coincidem com os estágios de toda apreensão estética. Por mais que o objeto dessa apreensão estética varie, o processo psicológico de apreensão estética se manteria constante.
Joyce define ainda três categorias de arte, que são uma progressão, da mais elementar à mais elevada, uma surgindo como desdobramento da outra. A primeira delas é a forma lírica, na qual o autor apresenta a imagem artística em relação consigo mesmo. A forma lírica é a mais simples das três e representa um instante de emoção: o autor está mais consciente desse instante de emoção do que de si mesmo como aquele que a sente. A segunda forma de arte é a épica, que emerge da primeira: o artista apresenta sua imagem de arte em imediata relação a si mesmo e aos outros. A narrativa épica já não é mais puramente pessoal, o centro de gravidade da emoção se expande a partir do artista até se tornar equidistante entre o autor e os outros. A terceira é a forma dramática, em que a imagem artística está apresentada em imediata relação com os outros. A vitalidade que se sente surgindo e fluindo da expressão épica se expande de tal forma, que preenche cada pessoa com tal energia vital. E assim se estabelece nelas uma apropriada e intangível “vida estética”. A personalidade do artista se refina para fora da existência, despersonaliza-se. “A imagem estética, na forma dramática, é a vida purificada nela e tornando a se projetar para fora da imaginação humana. O mistério da criação estética, assim como o da criação material, então se realiza” (Joyce, 1987). O artista, como o Deus da criação, em seu ato cosmogônico, situa-se dentro, junto, atrás, atrás ou acima de sua criação.
Joyce também nos explica o processo de criação de uma obra de arte a partir de Santo Tomás de Aquino. Pois o que acontece é que a arte está intimamente ligada ao reino dos mitos, assevera Campbell (2007) — isso ele descobriu com Jung e Joyce —, e existem basicamente dois tipos de mitologias: as mitologias que enfatizam a situação sociológica na qual o mito deve ser aplicado e insistem nas leis da ordem social como sendo as verdadeiras leis, em geral, reveladas por Deus; e as mitologias que estão mais interessadas nas leis da natureza, e estas residem no coração. As regras da sociedade e dos deuses são algo exterior, o lirismo é algo interior, e, como Campbell afiançou, “é lá onde vivem as musas, no seu coração, não lá fora em algum livro” (Campbell, 2007, tradução nossa). Seguir simplesmente as regras é o tema de The Waste Land (2), de T. S. Eliot, lembra-nos Campbell, que prossegue:
É assim que as coisas se passam com as regras da arte. Você tem que aprender para conhecê-las, e se é uma arte local apropriada, em consonância com o presente, as regras terão alguma coisa relacionada à vida das pessoas aqui e agora, não uma grande coisa geral aficionada sobre a vida, mas a vida como ela é no aqui e agora, os nossos problemas e mistérios como eles são no aqui e agora. Você tem que conhecer sua contemporaneidade. Você tem que conhecer sua relação com a sua contemporaneidade e depois esquecê-la! Deixar isso se formar dentro de você (…) (Campbell, 2007, tradução nossa).
Citando Joyce novamente, Campbell (2007) nos informa que existe uma arte própria e uma arte imprópria. A arte imprópria é cinética, incita o desejo de possuir um objeto ou a repugnância e o medo, que fazem resistir-lhe e evitá-lo. A arte que desperta o desejo é “pornográfica”. A arte que desperta repugnância e crítica do objeto ele denomina de “didática”. A arte própria é estática, ela o mantém em suspensão extática.
(2) A Terra Devastada.
Nesse ponto, Joyce (1987) cita Aquino, quando este afirma que três coisas são necessárias para a beleza universal: integridade, harmonia e radiância.
A primeira fase de apreensão é uma linha limitando, contornando o objeto a ser apreendido. Uma imagem estética se nos apresenta seja no espaço ou no tempo. O que é audível apresenta-se no tempo, o que é visível apresenta-se no espaço. Mas, tanto temporal como espacial, a imagem estética é em primeiro lugar luminosamente apreendida como autolimitada e autocontida sobre o incomensurável segundo plano do espaço ou do tempo, que não o são. Tu a apreendes como uma coisa. Tu a enxergas como um todo. Apreendes o seu todo. Eis o que é integritas (Joyce, 1987).
O autor continua, agora explicando sobre a harmonia (consonantia):
Então, depois, tu passas dum a outro ponto, conduzido por suas linhas formais; apreendes cada ponto como parte em função de outra parte dentro dos seus limites; sentes o ritmo de sua estrutura.
Em outras palavras, a síntese da percepção imediata é seguida pela análise de apreensão. Tendo, primeiramente, sentido que é uma coisa, sentes, agora, que é uma coisa. Tu a apreendes como complexa, múltipla, divisível,
separável, inteirada pelas suas partes, o resultado de suas partes e a soma harmoniosa. Eis o que é consonantia
(Joyce, 1987).
Por fim, Joyce define a qualidade da radiância (claritas):
Penso que (…) claritas fosse a descoberta e a representação artística da intenção divina nalguma coisa, ou a força da generalização que faria da imagem estética uma imagem universal, que a faria irradiar as suas próprias condições. (…) O instante em que essa suprema qualidade de beleza, a radiação clara da imagem estética, é apreendida luminosamente pelo espírito que foi surpreendido por sua inteireza e fascinado por sua harmonia é o luminoso êxtase silencioso de prazer estético (…) (Joyce, 1987).
Desse modo, quando o ritmo apropriado é alcançado, o resultado é a radiância (claritas), pois o ritmo diante de você coincide com o da natureza. Nesse sentido, para Campbell, “a arte é a representação da interface entre sua natureza interna e externa”. A natureza para qual você está olhando é a sua natureza.
Quando observamos uma verdadeira obra de arte, o sentido de dentro e fora desaparece, pois algo de exterior se torna uma representação da beleza que medra em nosso interior. Jung certa feita afirmou que nenhum de nós pode enunciar a Verdade, com letra maiúscula, mas, ao sermos atravessados por um problema contemporâneo, se pudermos identificar como ele nos afeta, podemos enunciar uma verdade, mas uma que reverbera. O reino de Deus está em você!
Classifique as afirmações a seguir como verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) A arte para Joyce se pauta pelo que Campbell chama de “divinamente surpérfluo”.
( ) As emoções trágicas são estáticas.
( ) Para Campbell, a arte está intimamente ligada ao reino dos mitos.
( ) O excitamento dos sentidos é algo meramente cinético e gera apenas “desire and loathing”, desejo e aversão.
( ) Para Joyce, por mais que o objeto da apreensão estética varie, o processo psicológico de apreensão estética se mantém constante.
( ) Quando observamos uma verdadeira obra de arte, o sentido de dentro e fora desaparece, pois algo de exterior se torna uma representação da beleza que medra em nosso interior.
( ) A arte imprópria é cinética, incita o desejo de possuir um objeto ou a repugnância e o medo, que fazem resistir-lhe e evitá-lo. A arte que desperta o desejo é “pornográfica”. A arte que desperta repugnância e crítica do objeto ele denomina de “didática”.
( ) A arte própria é estática, ela o mantém em suspensão extática.
( ) Para Jung, quando somos atravessados por um problema contemporâneo, se pudermos identificar como ele nos afeta, podemos enunciar uma verdade que reverbera.

Eles caminharam até o meio-dia. Quando o sol estava a pino, pararam, e o poeta dividiu seu pão, queijo e hidromel. Comeram enquanto observavam as montanhas ao longe e ouviam o ruído do vento nas folhas dos bosques.
— Ao meio-dia — disse o poeta —, nossas sombras estão mais curtas, é quando estamos mais vulneráveis. Provavelmente vamos encontrar os cavaleiros. O primeiro deles é o cavaleiro verde, o cavaleiro da morte, ele brande um machado. Eles são encantados, e esse encanto os torna invencíveis. Infelizmente, eu não sei como o encanto funciona, mas, se você descobrir o meu nome, posso paralisar um deles para você passar!
— Acho que não é preciso, creio que sei o que fazer. Vamos, o meu tempo é curto.
— Antes de prosseguirmos, o segundo é o cavaleiro branco, ele é o cavaleiro da malícia e usa uma comprida lança. O último, o cavaleiro vermelho, é o cavaleiro da ira e maneja um martelo de batalha.
— Receba a minha gratidão pela ajuda e pela comida que dividiu comigo. Espero que termine o seu soneto.
Eles mal recomeçaram a caminhar e divisaram uma figura sombria bloqueando a estrada: um homem num corcel magnífico, vestindo uma armadura verde e brandindo um pesado e desajeitado machado de aspecto ameaçador que gotejava sangue.
— Alto! A única maneira de passar é permitindo que eu corte a sua cabeça com o meu machado.
— Sim.
Atônito, o cavaleiro ouviu a resposta, e, quase ao mesmo tempo, sua cabeça foi separada do pescoço como se atingida por uma lâmina invisível. Seu corpo não tombou do corcel, mas permaneceu firme, enquanto sua cabeça caía no pó da estrada. Mesmo decapitado, o cavaleiro não parecia morto, e sua cabeça ainda continuou a falar.
— Que grande tolice! Meus irmãos vão me vingar, e nossa mãe certamente vai devorar o seu coração. Pode ter quebrado o meu encanto de invencibilidade, mas ainda terá de passar pelo cavaleiro branco e pelo cavaleiro vermelho!
— Qual é a fraqueza da sua mãe?
— Você não possui o que é preciso para descobrir!
Os dois continuaram, e o Sol seguia inexorável em seu curso, caminhando para deixar o mundo entregue à escuridão, quando toparam com o segundo cavaleiro.
— Alto! A única maneira de você passar é me tomando essa lança e perfurando o meu coração com ela.
— Não!
O cavaleiro viu incrédulo quando seu peito foi perfurado por uma lança invisível. Sua força o abandonou, e a lança que carregava caiu pesadamente ao solo.
— Você pode ter me derrotado, mas o meu poder é uma mera fração do poder da minha mãe! Meu irmão irá vingar a minha derrota.
— Qual é a fraqueza de sua mãe?
— Você não tem o que é preciso para descobrir! Desista!
O poeta se adiantou e, barrando o caminho, disse:
— Seu tempo está se esgotando, o sol vai se pôr em breve, você nunca chegará a tempo, mas, se adivinhar o meu nome, posso paralisar o cavaleiro vermelho, e você terá tempo de ao menos chegar à casa da bruxa.
— Eu tenho outros planos.
Quando o sol já estava quase se pondo no horizonte, finalmente surgiu o cavaleiro vermelho. Seu elmo era adornado com chifres enormes e ameaçadores, e ele empunhava com as duas mãos um martelo de combate. Ele e seu corcel se aproximaram e, num brado feroz, disse:
— Me enfrente!
A única resposta que ele obteve foi o silêncio, o que o fez encolher até o tamanho de um soldado de chumbo. Os dois se agacharam para falar com o que restou do outrora temível cavaleiro, e, mais uma vez, a pergunta foi feita.
— Qual é a fraqueza de sua mãe?
— Você não a tem!
O poeta olhou tristemente para o poente: o Sol já estava quase sumindo no horizonte, e, em apenas alguns instantes, a jornada terminaria em fracasso.
— Mesmo que você chegue à casa da bruxa, não é mais possível vencer, o seu tempo acabou. Você pode se alegrar, ninguém antes chegou tão longe.
— Não acabou ainda, eu descobri a resposta ao seu enigma. Flautista, você poderia distrair o Sol e fazer com que ele não se ponha até que eu retorne?
O flautista fez um largo e espalhafatoso cumprimento, sacou sua flauta e começou a tocá-la. Imediatamente, o Sol, que estava se pondo, parou e ficou embevecido ouvindo a música encantada, colorindo o céu de laranja num crepúsculo perpétuo. Os dois se despediram. Agora restava encarar a bruxa.
(Continua…)

Campbell, J. (2000a). Los mitos en el tiempo. Emecé: Buenos Aires.
Campbell, J. (2000b). Para viver os mitos. São Paulo: Cultrix.
Campbell, J. (2007). The Mythic Dimension: Selected Essays 1959–1987. Novato: New World Library.
Campbell, J. (2008). Mito e transformação. São Paulo: Ágora.
Campbell, J. (2010). As máscaras de Deus - Volume 4: Mitologia criativa. São Paulo: Palas Athena.
Joyce, J. (1987). Retrato do artista quando jovem. Rio de Janeiro: Ediouro Publicações.
Larsen, S. (1991). Imaginação mítica: a busca de significado através da mitologia pessoal.
Rio de Janeiro: Campus

Graduado em História (UFC) e em Psicologia (Estácio), mestre em Psicologia (UFC) e doutorando em Psicologia (Universidade de Fortaleza). Professor, pesquisador, escritor e analista junguiano. Tem experiência na área de História e Psicologia, com ênfase
em Historiografia e Epistemologia das Psicologias, atuando principalmente nos seguintes temas: História das Ciências, História do Conhecimento, História da Psicologia História das religiões, mitologia comparada, quadrinhos
e cultura pop, Epistemologia, Psicanálise Freudiana e Psicologia Analítica. Autor dos livros Impetus: Psicologia, Mitologia e Cultura; Naruto e a Mitologia Oriental; Introdução à Psicologia Junguiana; O Método de Jung; Thor,
do Mito aos Quadrinhos e Outros Ensaios, e do romance de literatura fantástica Obakemono. É diretor do Instituto Dédalus. Foi consultor e apresentador do podcast Assim Caminha a Humanidade, produzido de maio
de 2019 a junho de 2020 em parceria com o grupo de Comunicação O POVO.
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Graduada em Comunicação Social (Universidade de Fortaleza) e mestranda em Tecnologias Emergentes em Educação (Miami University of Science and Technology). Pós-graduanda (lato sensu) em Psicologia Social e a Antropologia (FAMEESP) e pós-graduanda (lato
sensu) em Teoria da História e Historiografia (FAMEESP). Pós-graduada (lato sensu) em Psicanálise (FUNIP) e em Psicologia Junguiana (FAGRAN). Pesquisadora e roteirista. Atuou como editora de livros entre 2006 e 2017, gerenciando
a publicação de cerca de 115 títulos, entre obras de psicologia, psicanálise, livros jurídicos e literários. Neste mesmo período, entre a edição de um livro e outro, escreveu sobre temas como imagem, cultura e tendências de
consumo em veículos como
Update or Die, O Povo, O Futuro das Coisas e Digestivo Cultural, entre outros. Desde 2018, desenvolve projetos audiovisuais e podcasts, tendo estreado como roteirista ao escrever o episódio piloto da série documental
Sinos. O episódio foi lançado em outubro de 2021 no Canal FDR e no Canal Futura. Criadora, pesquisadora, roteirista e apresentadora do podcast Assim Caminha a Humanidade e das áudio séries Uma Breve História
da Intolerância e É Tudo Folclore!
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