Módulo 4 | ATIVIDADE FÍSICA VERSUS ESPORTES DE ALTO RENDIMENTO:
APLICABILIDADE PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Imagine dois indivíduos: o primeiro não se exercita regularmente sob orientação de um profissional de Educação Física, mas tem uma atividade laboral que exige deslocamentos durante o dia e trabalhos que demandam força manual. O segundo trabalha em casa, por horas em frente ao computador, e pouco se desloca mesmo dentro de sua residência; passa a maior parte do dia sentado, mas vai para a academia no fim do dia e treina musculação durante cerca de 45 minutos em duas vezes na semana. Você consegue dizer com segurança qual dos dois é mais ativo fisicamente?
Possivelmente os dois personagens são classificados como indivíduos insuficientemente ativos fisicamente. Ou seja, apesar de não serem totalmente sedentários, talvez não atingem níveis de atividade física suficiente para serem considerados suficientemente ativos fisicamente e, com isso, garantirem, de modo adequado, todos os benefícios que a atividade física acarreta. Caso nessas duas situações fossem acrescentadas práticas esportivas às rotinas diárias, os benefícios aos indivíduos, presumivelmente, seriam bem superiores.
Os conceitos de atividade física, exercício físico e esporte recreativo e competitivo geram divergências mesmo entre o profissional de Educação Física. Imagine para o público em geral!
Até o fim deste fascículo, você entenderá conceitos importantes sobre essa temática e como aplicar essas ideias em pessoas com deficiência.
“Não deixe ninguém dizer até onde vai o seu sonho”, Diego Hypolito, bicampeão mundial e prata nas Olimpíadas do Rio 2016 na Ginástica Artística.
“100 metros”: uma dica interessante para você conferir é o filme baseado na história real de Ramón Arroyo. A produção conta a trajetória de um homem que é diagnosticado com esclerose múltipla aos 35 anos e supera a doença por meio do esporte. No começo de seu tratamento, Ramón ouve de outro paciente que, em pouco tempo, não conseguiria sequer caminhar 100 metros. O filme gira em torno de seu tratamento e recuperação, que o levam a concluir o IronMan, a mais famosa prova de triathlon do mundo, com 3,8 km de natação, 180 km de ciclismo e 42,195 km de corrida.

Imagine um colega que você considera inativo fisicamente, aquele popularmente visto como “parado” (sedentário). Quais características primeiramente lhe chamam atenção para fazer uma descrição dele? Atividade física consiste em qualquer tipo de movimento corporal que resulte no gasto de energia acima daquele quando o corpo está em repouso. Gesticular, levantar, andar, saltar, correr e arremessar, entre outros, são considerados atividade física.
As atividades físicas são importantes para evitar que você tenha comportamento sedentário, e a ausência dessas atividades associada a um estilo de vida sedentário (passar a maior parte do dia sentado e/ou deitado) está relacionada a fatores de risco para o desenvolvimento ou o agravamento de certas condições patológicas, tais como doença coronariana ou outras alterações cardiovasculares e metabólicas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há um crescimento do sedentarismo em todo o mundo: 70% das pessoas, atualmente, são consideradas sedentárias. Isso significa que elas estão sujeitas a desenvolver doenças perigosas, como as cardíacas, o diabetes e a obesidade. Esses números apontam ainda que a falta de atividade física é responsável por 54% do risco de morte por infarto, 50% por derrame cerebral e 37% por câncer.
Além disso, a atividade física envolve uma relação com a sociedade e com o ambiente de que você faz parte, ou seja, ela pode estar presente no lazer, nas tarefas domésticas ou no deslocamento para a escola ou o trabalho. Nesse contexto cotidiano, o indivíduo sempre realizará alguma atividade física.
Uma atividade que o tire do repouso, altere seu metabolismo, aumente seu consumo de oxigênio e sua produção de calor pode ser considerada uma atividade física – seja uma atividade laboral ou de casa, seja alguma com o objetivo de estar mais ativo ao caminhar de propósito para um determinado local.
Além do já citado, imagine que a atividade física beneficia a saúde mental, prevenindo o declínio cognitivo e os sintomas de depressão e ansiedade. Ela pode contribuir para a manutenção do peso saudável e do bem-estar geral. Nos anos de 2020 e 2021, com a pandemia da covid-19 e as medidas restritivas de mobilidade sociais impostas por governos de todo o mundo, essa informação deveria ser importante para conscientização de toda a sociedade. Mesmo com as medidas restritivas de deslocamento social, a população deveria ser estimulada a aumentar a realização de atividade física, ainda que em casa.
O sedentarismo e a qualidade da alimentação são os dois principais fatores que influenciam para a população ficar acima do peso. Lembre-se de que a inatividade física e o uso de serviços de entregas de alimentos (o que estimula o consumo de alimentos processados e ultraprocessados) aumentaram em virtude da pandemia. Fast food, alimentos embutidos, processados e ultraprocessados e excesso de açúcar devem ser combatidos e merecem atenção juntamente com a falta de uma conduta de atividade física frequente ou exercícios físicos programados. Aliás, você sabe a diferença entre atividade física e exercício físico?
Pense que você pratica atividade física planejada e estruturada com o objetivo de melhorar ou manter os componentes físicos, como sua estrutura muscular, sua flexibilidade e seu equilíbrio, sua potência muscular e sua habilidade motora para determinado esporte. Você está, então, fazendo exercício físico. Nesse caso, o exercício é orientado por um profissional de Educação Física. Ou seja, todo exercício físico é uma atividade física estruturada com o objetivo específico de desenvolvimento de alguma aptidão, mas nem toda atividade física é um exercício físico, pois a atividade física é caracterizada como o ato de realizar qualquer movimento.

Com base nas recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Ministério da Saúde do Brasil orienta que as pessoas adultas devem praticar 150 minutos semanais de atividade física moderada ou pelo menos 75 minutos de atividade física de maior intensidade por semana. Observe que as recomendações da OMS destacam a atividade física, e não o exercício físico, o que reforça a importância de uma vida diária ativa, em casa, no lazer, na escola e/ou no trabalho. É importante destacar que essas recomendações são consideradas por muitos pesquisadores ainda insuficientes para garantir um bom estado de saúde e, também por isso, deve-se estimular a prática de exercícios físicos orientados por profissionais de Educação Física.
Na verdade, a OMS fornece recomendações para diferentes faixas etárias e sexo sobre a quantidade de atividade física teoricamente necessária para oferecer benefícios significativos e minimizar os riscos à saúde. Pela primeira vez, esses pareceres trazem recomendações sobre os benefícios da prática física também em subgrupos, como mulheres grávidas e no pós-parto e pessoas que vivem com condições crônicas ou com deficiências.
Com relação aos adultos com deficiência, todos devem praticar atividade física ou exercícios orientados, da mesma forma como recomendados para pessoas sem deficiência, pois muitos dos benefícios da atividade física para a saúde de adultos se aplicam também a adultos com deficiências.
Você sabe quais são considerados os primeiros esportes praticados no mundo? Algumas modalidades esportivas que existem hoje, como arco e flecha, salto, corrida e luta, eram métodos usados pelos antepassados para sobreviver e caçar, atividades físicas cotidianas. Hoje, com regras, treinamentos estruturados e competições, essas atividades físicas foram transformadas em esportes.
Confira estas dicas de saúde que podem ajudar você a aliviar o estresse e as tensões acumuladas no corpo. Os alongamentos são uma boa maneira de relaxar o corpo e aliviar o estresse.
A vantagem do alongamento é que pode ser feito em qualquer local e qualquer horário e dispensa o uso de equipamentos especiais. A caminhada também é uma forte aliada não só para aliviar as tensões, mas para
manter a saúde em dia, já que melhora a circulação no sangue. A dança pode ser uma boa alternativa também para extravasar, aliviar o estresse e a ansiedade. Essas atividades físicas podem auxiliar a minimizar o
estresse e, quando estruturadas e orientadas por um profissional de Educação Física (exercício físico), podem trazer inúmeros benefícios adicionais.
Acesse o endereço eletrônico a seguir e leia as recomendações mais recentes da OMS para todas as faixas etárias: Link

Cada vez mais a ciência destaca a importância da atividade física e do exercício físico para pessoas com alguma deficiência. Entre adultos com esclerose múltipla, por exemplo, verifica-se melhora da função física e mental com a prática de atividade física. Para indivíduos com lesão da medula espinhal, com exercícios físicos supervisionados, verifica-se melhora na função de caminhada, força muscular e das extremidades superiores além de aumento da qualidade de vida relacionada à saúde. Para indivíduos com doenças ou desordens que comprometam a função cognitiva, foi percebido que a atividade física melhora a função física e cognitiva.
Pessoas com doenças de Parkinson e histórico de derrame obtiveram efeitos benéficos na cognição com a prática de atividades físicas. Adultos com esquizofrenia melhoraram a qualidade de vida; pessoas com deficiência intelectual apresentaram melhora na função física; no chamado “mal do século”, adultos com depressão clínica severa tiveram melhora na qualidade de vida.
Assim, adultos com deficiências devem realizar pelo menos de 150 a 300 minutos de atividade física aeróbica de moderada intensidade; ou pelo menos de 75 a 150 minutos por semana de atividade física aeróbica de vigorosa intensidade; ou combinar atividades
físicas de moderada e vigorosa intensidade ao longo da semana para obter benefícios para a saúde, assim como adultos sem qualquer deficiência.
Observe que as indicações não determinam modalidades nem exercícios físicos estruturados, mas o tempo de duração e a intensidade. As atividades mais prazerosas para o praticante também devem ser observadas.
Pessoas com deficiência podem também fazer exercícios físicos de fortalecimento muscular com moderada ou maior intensidade que envolvam os principais grupos musculares, em dois ou mais dias da semana, pois eles proporcionam benefícios adicionais à saúde.
Como parte das suas atividades físicas semanais, idosos com deficiência devem fazer treinamentos físicos variados, priorizando o equilíbrio e o treinamento de força com moderada intensidade, para melhorar a capacidade de
realizar tarefas do dia a dia e prevenir quedas.
Adultos com alguma deficiência podem aumentar a atividade física aeróbica de moderada intensidade para mais do que 300 minutos; ou fazer mais do que 150 minutos de atividade física aeróbica de vigorosa intensidade; ou uma combinação equivalente de atividades físicas de moderada e vigorosa intensidade ao longo da semana. Todas essas recomendações têm moderado grau de evidência científica.
O que uma pessoa com deficiência obtém de benefício com a prática de ati - vidade física? Mais agilidade, equilíbrio, força muscular, resistência e coordenação motora; melhora dos aparelhos circula - tório, respiratório, digestório, reprodutor e excretor; manutenção e promoção da saúde; prevenção de deficiências secundá - rias; reforço da autoestima e autoimagem; desenvolvimento da capacidade de resolu - ção de problemas; superação de situações de frustração; e estímulo à independência e à autonomia formam o conjunto de bene - fícios que já foram associados à prática de atividade física por esses grupos.
São necessárias mais pesquisas para determinar a dose-resposta entre atividade física e/ou comportamento sedentário e bene - fícios para saúde em todas as populações, inclusive em pessoas com deficiência física.
“Aquele que não é corajoso o suficiente para correr riscos nada realizará na vida.” Muhammad Ali, lutador de boxe americano, considerado um dos melhores da história do esporte.

Diariamente você ouve os termos atividade física, exercício físico e esporte serem utilizados quase que como sinônimos. No entanto, eles têm diferença entre si, como foi mostrado anteriormente entre atividade física e exercícios. Mas e o esporte? Ele é um tipo de exercício? Quando alguém faz uma caminhada ou garotos jogam futebol na rua ou a seleção nacional de voleibol enfrenta a de outro país, esses sujeitos estão praticando esporte? Como defini-lo?
O esporte envolve o conceito de desempenho, ou seja, a pessoa tem de realizar a competição da melhor forma, em que movimentos são avaliados e comparados (exemplos: ginástica olímpica, nado sincronizado), o menor tempo é medido (exemplos: corridas do atletismo) e o maior número de pontos e gols são considerados (exemplos: cesta no basquete, gol no futebol, ponto no vôlei).
Diferentemente das definições de atividade e exercício físico, o esporte possui regras universais, é uma atividade sistematizada, tem esse regulamento preestabelecido por diferentes instituições que regulam cada modalidade esportiva (ligas, federações, confederações ou comitês olímpicos) e é realizada com o objetivo de competição. O esporte no Brasil é praticado em muitas modalidades e é organizado por confederações nacionais de esportes. O futebol é a modalidade mais praticada no país.
O esporte se coloca em nossa sociedade sob duas formas de manifestação quanto ao seu sentido: alto rendimento ou atividade de lazer. Ainda é comum escutar afirmações populares como “esporte é saúde” ou “esporte profissional não é saúde” e ainda “esporte é integração”. Contudo, qualquer ação esportiva tem de ser descrita mais detalhadamente com relação ao seu sentido local e cultural e à modalidade.
Observe que ainda é comum confundir o conceito de esporte e jogo, mas esse último é uma atividade espontânea e com regras flexíveis. O jogo tem como característica o amadorismo e a falta de remuneração, os praticantes querem o entretenimento, as regras são adaptadas e livremente estabelecidas ou modificadas pelos participantes e não é necessário uniforme e nem número igual de jogadores nas equipes. Jogos de cartas, jogos de tabuleiro, jogos de computador, dardo, futebol de rua e dominó são exemplos de jogos.
Com a prática de esportes, a pessoa é beneficiada pela melhoria dos diferentes domínios do desenvolvimento, sejam no aspecto motor, afetivo, social e cognitivo, sejam na capacidade de correlacionar habilidades e competências. Além disso, claro, quem pratica
esporte realiza maiores níveis de atividade física, o que contribui para benefícios adicionais à qualidade de vida do praticante.
Os esportes em particular têm sido objeto de diversas classificações e são um fenômeno social que está difundido nas mídias e, assim, mobilizam muitas pessoas, economias nacionais e internacionais e envolvem instituições
públicas e privadas. Ao praticante e à sociedade soma diversos valores, como o cuidado consigo mesmo.
As modalidades esportivas podem ser classificadas de acordo com a lógica interna que está relacionada à organização estrutural do jogo em si, à prática que envolve os gestos motores, à relação com o adversário, entre outras. A tabela a seguir destaca as características de algumas categorias de esportes, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que são interessantes para facilitar a compreensão do que caracteriza os esportes.
Uma boa dica é a série documental “Esportes do Mundo” (Home Game), produzida pela Netflix, que traz uma visão não tradicional da prática esportiva em diferentes países. A produção tem oito episódios e uma temporada e apresenta as pessoas que protegeram e fomentaram o esporte e a cultura que as cerca.
Como se tornar um atleta de excelência? Ter conhecimento dos fundamentos da modalidade esportiva – o apoio de um técnico experiente e treinos diários nas mais variadas técnicas do seu esporte vão ajudá-lo a desenvolver a maneira correta; e inteligência emocional – a própria mente é muitas vezes um grande obstáculo dos atletas. Para aprimorar o desempenho, é necessário que o atleta trabalhe habilidades como conscientização, atenção e tomada de decisão. A organização de horários e o treinamento orientado também são um passo muito importante; condicionamento físico ideal – é fator determinante para o sucesso de um atleta. Quanto mais você usar seu corpo, mais apto ele estará para sua modalidade. É preciso ficar de olho na alimentação e consumir nutrientes como proteínas, boas fontes de gorduras e bons carboidratos e, claro, hidratar-se bastante.
Campo e taco
Principais características:
A pontuação pede o ato de rebater a bola o mais longe possível e tentar percorrer no campo a maior quantidade de bases. Nessas modalidades, os times alternam entre ataque e defesa e, no início do jogo, o time
que está defendendo sempre começa com a posse da bola para que a dinâmica do jogo seja possível. Exemplos: beisebol, críquete, softbol.
Combate
Principais características:
Modalidades individuais que têm como objetivo central vencer o oponente por meio de toques, desequilíbrios, imobilizações, exclusão de determinado espaço e contusões, combinando ações de ataque e defesa. Exemplos:
boxe, esgrima, caratê, sumô.
Invasão
Principais características:
Duas equipes com uma meta a ser defendida e a meta do adversário para ser invadida e atacada, a fim de computar pontos. A transição de ataque para defesa acontece a todo momento. Exemplos: basquetebol, futebol,
rúgbi.
Marca
Principais características:
Consideram a comparação entre o alcance de índices, que podem ser mensurados com metros, segundos, quilos e outros. Exemplos: todas as provas do atletismo e natação.
Precisão
Principais características:
Desempenho de atingir com um objeto algum tipo de alvo estático ou em movimento. Exemplos: golfe e tiro com arco.
Rede divisória ou parede de rebote
Principais características:
O objetivo é lançar, bater ou arremessar a bola ou objeto para a quadra adversária, sobre uma rede ou rebatendo contra uma parede, dificultando interceptação da defesa do adversário para que a bola ou o objeto
toque o chão e o ponto seja computado. Exemplos: voleibol, tênis, squash.
Técnico-combinatórios
Principais características:
São comparados à beleza da execução dos movimentos e ao grau de dificuldade deles, de acordo com padrões ou critérios estabelecidos nas regras de cada modalidade. Exemplos: todas as modalidades de ginástica
(acrobática, aeróbica esportiva, artística, rítmica).

Você se lembra de algum esporte praticado por pessoas com deficiência? Esportes como atletismo, natação, bocha, basquetebol em cadeira de rodas, dança adaptada e goalball vêm logo à mente de muitas pessoas. Os esportes para pessoas com deficiência vêm desde a Grécia Antiga e se iniciou como tentativa de colaborar com o processo terapêutico. Tinha a finalidade primordialmente médica, visando prevenir e tratar lesões ou doenças. O esporte é um importante meio para a reabilitação física, psicológica e social de pessoas com algum tipo de deficiência. Trata-se de modificações e adaptações em metodologias, regras e materiais para a participação de pessoas com deficiência.
Todavia, o esporte para pessoas com deficiência, da forma como é conhecido atualmente, não tem objetivos relacionados apenas à reabilitação. Mais do que terapia, o esporte para esta população caminha para o alto rendimento. Os níveis técnico, físico e psicológico dos atletas com deficiência impressionam cada vez mais o público e os estudiosos da área da atividade física e dos esportes.
Em 1870, nos Estados Unidos, começava-se a ter conhecimento de modalidades esportivas adaptadas, mas isso era restrito a deficientes auditivos, que eram organizados por escolas especiais. No ano de 1924, na cidade de Paris, aconteceu uma grande competição, mas novamente era apenas para esse público. O campeonato foi intitulado “Jogos do Silêncio” e reunia atletas de diversos países. Mas o esporte adaptado só começou a ganhar bastante reconhecimento após o fim da Segunda Guerra Mundial. Soldados voltavam para suas casas com marcas irreversíveis da guerra e problemas motores, visuais, auditivos e psicológicos. Assim, políticas públicas envolvendo o esporte para deficientes foram incentivadas na Inglaterra e nos Estados Unidos.
No ano de 1948, a cidade de Londres sediou os Jogos Olímpicos de Verão, e Ludwig Guttman aproveitou esse fato para criar uma olimpíada especial. O hospital Stoke Mandeville, localizado na Inglaterra, tinha a prática de realizar jogos internos anualmente. O evento se chamava “Jogos de Stoke Mandeville”, que contava com 16 atletas ingleses. A prática adquiriu força e serviu de impulso para a criação dos primeiros Jogos Paralímpicos, em 1960, na cidade de Roma. O nome “Paraolimpíadas” só foi oficializado nas Olimpíadas de Tóquio no ano de 1964.
Perceba que o esporte pode ser praticado de forma integrada, em que os indivíduos com e sem deficiência praticam e competem juntos; ou de forma segregada, em que as pessoas com deficiência praticam e competem separadamente daquelas sem deficiência. Nota que existe uma diferença entre a atividade inclusiva e a adaptada?

Enquanto, na modalidade inclusiva, as pessoas participam das mesmas atividades propostas a todos, cabendo ao professor planejar as aulas de acordo com as especificidades de cada um, na modalidade adaptada, as pessoas com deficiência praticam os esportes separadamente. É importante destacar que a prática tanto da atividade inclusiva quanto da adaptada requer um ambiente acessível, que promova a inclusão e a valorização das diferenças.
Quando se pensa sobre o esporte para a pessoa com deficiência, a primeira ideia que deve aparecer são os aspectos positivos do esporte: sejam físicos, psíquicos e sociais. Praticar esportes com regularidade melhora a qualidade e traz inúmeros benefícios para a saúde física e mental. Para as pessoas com deficiência, os ganhos são ainda maiores: aprimora a força, o equilíbrio e a agilidade, estimula o convívio externo e previne as enfermidades secundárias à deficiência. O esporte é, reconhecidamente, capaz de aperfeiçoar a autoestima e a autoconfiança, tornando a pessoa mais segura, enquanto colabora para a inclusão social.
O documentário “Paratodos”, dirigido por Marcelo Mesquita, mostra o cotidiano de oito dos principais atletas paralímpicos brasileiros e a inclusão da pessoa com deficiência no esporte de alta performance. O filme-documentário estreou no cinema brasileiro em junho de 2016.
A dica é para os amantes do atletismo. “O que te faz mais forte”, “Invencível” e “Maratona de Brittany” são boas indicações para quem curte filme sobre superação.
No aspecto social, o esporte para pessoas com deficiência proporciona a sociabilização e aumenta a independência no dia a dia. No aspecto psicológico, o esporte melhora a autoconfiança e a autoestima, tornando os praticantes mais otimistas e seguros para alcançarem seus objetivos. Atualmente, acredita-se que o esporte adaptado contribui significativamente para a inserção das pessoas com deficiência à sociedade bem como traz benefícios relacionados à melhor aceitação da deficiência, melhor interação com as pessoas ao seu redor, melhora da aptidão física, ganho de independência e autoconfiança para a realização das atividades diárias e melhora do autoconceito e autoestima, dentre outras vantagens.
As principais barreiras a serem superadas ainda são: falta de uma política que possibilite de fato o desenvolvimento dessa prática; preconceito; falta de qualificação profissional; e falta de apoio de pessoas próximas.
O profissional de Educação Física precisa ter uma postura diferenciada com a pessoa com deficiência. Ele precisa saber como adaptar esportes, além de engajar e animar os alunos. É seu papel produzir conhecimentos, que sejam
capazes de trazer contribuições e modificar o contexto social no qual vivem as pessoas com deficiência.
Após essa conversa, o que se pode esperar de benefícios do esporte para quem tem deficiência? Que percepções podem ser obtidas dos benefícios?
Mesmo que as pessoas com deficiência não atinjam as recomendações de atividade física proposta, fazer alguma atividade física proporcionará benefícios à saúde. Adultos com deficiências devem começar fazendo pequenas quantidades de atividade física e aumentar a frequência, a intensidade e a duração ao longo do tempo. Não há maiores riscos para adultos com deficiências se engajarem em atividades físicas quando elas são apropriadas ao atual nível de atividade do indivíduo e orientadas por um profissional da Educação física para determinar o tipo, a quantidade e as atividades apropriadas para eles.
ARAÚJO, P. F.. Iniciação esportiva e as pessoas com deficiência. In: MENDES, E. G.; ALMEIDA, M. A.; WILLIANS, L. C. de ALBUQUERQUE. Temas em Educação Especial: avanços recentes. São Carlos: EDUFSCar, 2009.
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Tem Licenciatura Plena em Educação Física (Unifor), Especializações em Nutrição e Exercício Físico (Uece), Fisiologia do Exercício (UFPR) e Bioquímica Clínica e Biologia Molecular (UFC). Tem Mestrado em Ciências Fisiológicas (Uece), Doutorado em Biologia/Fisiologia (UFRJ) e Pós-Doutorado em andamento (UFRJ). Atualmente é professor adjunto e coordenador dos cursos de especializações em Treinamento Esportivo e Fisiologia do Exercício Físico da Universidade Estadual do Ceará (Uece), professor do Programa de Pós-Graduação em Nutrição e Saúde (PPGNS) e do Programa de Pós-graduação em Ciências Fisiológicas (PPGCF) da Uece. É membro do Conselho Regional de Educação Física da 5ª Região (Cref5) e presidente da Comissão de Educação Física e Saúde do Cref5. É membro da Academia Brasileira de Treinadores (ABT/COB) e redator do componente curricular da Educação Física do Estado do Ceará da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Treinamento Esportivo e Fisiologia do Exercício, atuando principalmente nos seguintes temas: performance, treinamento físico, esportes, alto rendimento, metabolismo, diabetes, grupos especiais, exercício físico para crianças e adolescentes e nutrição.
É doutorando em Ciências Fisiológicas (ISCB/Uece), mestre em Ciências Fisiológicas (ISCB/2017) e especialista em Treinamento de Força (Uece/2017) e em Fisiologia e Biomecânica do Exercício (FIC/2007). Tem graduação em Educação Física (Alma mater: Uece/2005). Atualmente é membro efetivo da Sociedade Brasileira de Fisiologia (SBFis) e filiado ao American College of Sport Medicine (ACSM). Tem quatro anos de experiência docente como professor substituto do colegiado de Educação Física da Universidade Estadual do Ceará (Uece), estando aprovado para exercício do ofício no ano de 2021. É professor efetivo classe A da Secretaria da Educação do Ceará e professor celetista da Faculdade do Vale do Jaguaribe e auxiliar do Centro Universitário Unifanor. É membro da Comissão de Saúde do Cref5, diretor científico da Federação Cearense de Culturismo, Musculação e Fitness e presidente da Comissão Técnica/Científica da Associação Cearense de Personal Trainers (Acept). Tem linha de pesquisa em doenças neurodegenerativas, fisiologia do exercício e treinamento de força. É autor de livro e de artigos relacionados aos referidos temas.
Carlos Henrique Santos da Costa é cartunista e jornalista por formação. Trabalhou no O POVO (Fortaleza/CE) de 1998 a 2019. Colaborou para a revista MAD (SP) de 2003 a 2016. Publicou em 2003 uma história em quadrinhos no jornal Extra, de Nova York (EUA). Ganhou em 2015, junto com a equipe de arte do O POVO, o prêmio Esso de Jornalismo na categoria Criação Gráfica. Em 2016, o Prêmio Ângelo Agostini de “Melhor Cartunista” e dois Troféus HQ MIX em parcerias. Participou de projetos como Tarja Preta (RJ), Escape (SP), Gibi Quântico (SP) e Marcatti 40 (SP).