Fascículo 11 | A Leitura Acessível
Agora que você já trilhou vários caminhos rumo à formação de mediador(a) de leitura, vamos convidá-lo(a) para uma experiência diferente. Vamos falar de acessibilidade. Imagine, agora, que você está no mar. O seu barco tem uma vela de tamanho ideal, entretanto, não existe vento algum e o barco não tem nenhum remo. O motor também não funciona devido a algum problema que você nem ao menos conseguiu detectar. Nenhum vento sopra e, sozinho, você começa a se desesperar: consulta o GPS e o seu celular, mas no meio do oceano nada funciona a contento. Sim, você está meio no mar, flutuando à deriva e, parece, esperar é tudo que você pode fazer até que o vento resolva soprar ou que outro barco apareça para resgatá-lo(a).
A cena que foi apresentada, metaforicamente, ilustra a situação de um sujeito que mesmo dispondo de algumas ferramentas ou saberes, não consegue “navegar”. Isso pode ser fruto de alguma impossibilidade natural ou imposta, como no caso do vento que não sopra ou do motor com um problema indetectável. Esse exemplo nos leva a refletir que, quando precisamos desempenhar alguma função e a acessibilidade não está disponibilizada de forma plena, percebemos que a situação fica complicada e nos deparamos com dificuldades que, muitas vezes, parece fácil de ser resolvida para alguns, e para outros significa limitantes com certo nível de complexidade.
É importante frisar que a acessibilidade, independentemente do seu foco, significa antes de qualquer coisa, a capacidade de um produto se comunicar com seus usuários. Nesse sentido, tornar uma informação acessível é proporcionar a capacidade de acesso a quem dela necessite, levando em consideração as potencialidades e deficiências dos indivíduos, bem como o seu contexto sociocultural e econômico.
Com a leitura não poderia ser diferente, daí a importância de se discutir nesse módulo, propostas de inclusão de pessoas com deficiências em mediações de leitura, para que esse público seja contemplado e incluído nas práticas leitoras de formação.
Ninguém aqui abre mão de ninguém. Vamos ser criativos e explorar possibilidades. Com um pouco de empatia e conhecendo bem o nosso público, inclusive nos seus aspectos limitantes, e nós já sabemos disso, conseguimos resultados em nosso trabalho com mais facilidade. O mundo agradece!
A rigor, acessibilidade é uma forma de garantia de utilização adequada de locais por qualquer pessoa, com limitações temporárias ou permanentes. Além do acesso físico, a acessibilidade também diz respeito a
serviços, usabilidade tecnológica, direito à informação e à leitura.
A acessibilidade é um direito garantido. Vale lembrar que há inclusive força de lei que a estabelece e a caracteriza. Vejamos o Decreto nº 5.296 de 2004, Art. 8º, inciso I, que descreve a acessibilidade
como:
condição para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, dos espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos serviços de transporte e dos dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, por pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida. (BRASIL, 2004).
Em 6 de julho de 2015 foi instituída a lei nº 13.146, Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições
de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
Para conhecê-la, visite o: site
Dentre os direitos assegurados no Estatuto da Pessoa com Deficiência está o capítulo referente ao direito à Educação, do qual podemos destacar:
Art. 27. A educação constitui direito da pessoa com deficiência, assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado ao longo de toda a vida, de forma a alcançar o máximo desenvolvimento
possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.
Parágrafo único. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com deficiência, colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência
e discriminação.
Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver, implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:
Como vemos, a questão da acessibilidade na educação torna-se ponto de grande relevância no referido estatuto, o que nos leva a compreender a importância da leitura nesse processo, também como um direito. Assim, a abordagem aqui apresentada representa a igualdade de acesso de fato, à leitura, a qualquer indivíduo, com ou sem deficiência.
Em uma sociedade com tantas formas de se representar e registrar a informação, a acessibilidade ganha importância não apenas para melhorar o uso de uma interface, mas ela é de fato o que permite/possibilita a mediação da leitura de forma mais profunda, pois sem nos conectar mentalmente ao conteúdo da informação e às diferentes linguagens fica mais complicado estabelecer vínculos intelectuais, filosóficos ou emocionais com o texto e o seu contexto.
Você sabia que, segundo o censo brasileiro de 2010, 45,6 milhões de pessoas declararam ter pelo menos um tipo de deficiência? Para saber mais, visite o site: agenciadenoticias.ibge.gov.br/
É importante compreender também qual o papel que o mediador de leitura poderá desenvolver, para que os processos de inclusão e de compreensão crítica estejam condizentes com o conceito de inclusão.
Entende-se por inclusão,
processo estabelecido dentro de uma sociedade mais ampla que busca satisfazer necessidades relacionadas com qualidade de vida, desenvolvimento humano, autonomia de renda e equidade de oportunidades e direitos para os indivíduos e grupos sociais que em alguma etapa da sua vida encontram-se em situação de desvantagem com relação a outros membros da sociedade. (PASSERINO; MONTARDO, 2007, p.5).
O diálogo é o que estabelece os pontos fundamentais na interação dos indivíduos com relação ao meio. É também a maneira com a qual as pessoas deixam de ser marginalizadas e podem trilhar seus próprios caminhos na busca do que cada sujeito interpreta como prioritário. Logo, isso significa dizer que a mediação da leitura acessível inclui dois fatores fundamentais: a apropriação da informação que é inerente ao processo de produção, disseminação e de mediação da informação e o de interferência, que é inerente aos procedimentos de como a informação será destinada, compreendida e usada pelo usuário.
A pessoa com necessidades especiais, em um ambiente fértil para sua eloquência, um “espaço” ideal para exprimir seus saberes, desejos e conquistas, tende a se tornar um mediador também, pois o deficiente, emancipado, autônomo, livre para se qualificar, produzir e participar ativamente da sociedade da informação se transforma em protagonista de sua vida, contribuindo para que outros indivíduos também se sintam incluídos, trazendo mais e mais pessoas, envolvendo leitores, educadores e familiares para serem mais elos desta corrente.
Paulo Freire (2005) defende a mediação como uma ação por meio da qual o indivíduo pode se transformar em protagonista, já que na vivência do processo de mediação se pode refletir acerca da situação vivida, sobre seus interlocutores, sobre o mundo e sobre si mesmo, experiência que potencializa a formação da consciência que faz nascer um ser humano comprometido e capaz de intervir e interferir na realidade, enfim, contribuir para o protagonismo social.
A sociedade há muito tempo deixou de ser pautada no trabalho braçal e passou a ser baseada na criatividade e no desenvolvimento das ideias. Ou seja, não apenas na apreensão da informação e da leitura ou nas formas de cultura exercidas pelos seus diversos atores. Ser criativo implica em ir além de aprender objetivamente, ser receptivo, crítico e em todo o momento ser um aprendiz em potencial.
Para as pessoas com deficiências e que, portanto, precisam da acessibilidade, é de importância ímpar, em uma sociedade pautada no conhecimento e na informação, que haja a preocupação com a inclusão, em todos os seus aspectos. Assim, torna-se imprescindível capacitar indivíduos para lidarem com os diversos tipos de deficiências, sejam elas físicas, auditivas, visuais ou intelectuais, por exemplo.
Os mediadores da leitura precisam estar atentos e capacitados para lidar com a diversidade e as especificidades humanas. Cada vez mais essa tem sido uma preocupação, especialmente dos educadores. No contexto da leitura, essa questão deve estar pautada em um conjunto de fatores, relacionados, por exemplo, a ambiência (adequação do espaço físico), questões arquitetônicas, fatores sonoros (preocupação com os deficientes auditivos), barreiras visuais, tecnologias assistivas, recursos materiais e humanos, bem como as barreiras atitudinais (referentes a comportamentos preconceituosos ou ao bullying).
A necessidade de se pensar na acessibilidade como algo vinculado de maneira indissociável a qualquer manifestação cultural é do mesmo tamanho do oceano apresentado no início desse fascículo, para não abandonarmos a metáfora.
Assim, podemos entender que quando não temos maneiras plenas de navegar nesse oceano, paralelamente seria como se não houvesse acessibilidade adequada, para o que nos propomos. Deu para entender?
No seu convívio familiar, de amigos ou no trabalho, há pessoas com deficiências? Você já parou para pensar sobre as dificuldades por elas enfrentadas no cotidiano? Você considera que estamos caminhando para uma sociedade inclusiva e acessível? O que podemos fazer para mudar isso? Que comportamento podemos ter?
Caso nossa necessidade, na condição de pessoa com deficiência, por exemplo visual ou auditiva, seja fazer a leitura de um texto, de que tipos de ferramentas devemos nos apropriar? Que tipo de postura nós devemos adotar? Como podemos ser mediadores entre o conteúdo e quem dele precisa se apoderar?
Existem vários tipos de textos que compõe nossa prática leitora do dia a dia. Somos leitores ávidos, muitas vezes, mesmo sem perceber. Lemos placas, rótulos, revistas, panfletos, cardápios, sinalizações, bulas de remédios, legendas de filmes, revistas, jornais e livros, sem contar que com a difusão das mídias sociais e da internet estamos lendo mais e mais coisas no ambiente virtuais e em dispositivos móveis.
Caso queiramos penetrar de forma mais abrangente no ato da leitura, podemos compreender que a leitura verbal é a mais rapidamente lembrada, mas existe ao mesmo passo e com a mesma importância, a leitura não
verbal. Esta consiste primariamente em entender o que está a nossa volta e se caracteriza como informações a serem levadas em conta, mas não estão em formato de leitura com palavras ou pontuações. Por exemplo, lemos
o tempo para ver se vai chover, a movimentação dos carros antes de atravessar a rua, as deixas simbólicas de alguém como o sinal de positivo ou uma piscadela, e assim construímos um campo de percepção a nossa volta, que nos
faz refletir e ponderar sobre o que nos cerca, tentando usar ou mitigar essas influências externas que nem sempre são perceptivas. Você já parou para pensar se esses suportes e possibilidades de leitura e de informação estão
acessíveis às necessidades específicas das pessoas com deficiência?
Para algumas pessoas, a acessibilidade é muito mais que possibilitar o acesso à informação.
Acessibilidade, não raramente, se faz como única forma com a qual os indivíduos que necessitam dela possam estabelecer elos críticos, sentimentais e identitários com alguns tipos de conteúdo, inclusive para
tornar o cotidiano menos complexo.
A nossa relação com a leitura e a cultura nos auxilia a estabelecermos laços, pertencimentos e identificação com o meio no qual vivemos, daí ela ser tão importante para a nossa vida e um direito inalienável de todos.
A leitura é a principal ferramenta que dispomos para entender o mundo como ele é e como ele se mostra. Mesmo se a representação for falha ou viciada, a leitura crítica pode descortinar interesses e inclinações ocultas.
Aqui, chamamos a atenção ao fator principal que é o simples ato de ler, que enquanto para algumas pessoas pode ser tão trivial, para outros é algo que necessita de cuidado e de preparação maior. A leitura que é, desde tempos antigos, o elo do homem com sua cultura, a forma com que ele se eterniza, passando para seus descendentes suas descobertas e impressões, para alguns indivíduos ainda hoje é algo quase impossível e inacessível.
Apropriar-se da leitura, para alguém com seus sentidos todos funcionais é uma atividade que requer concentração e relativa prática para ser íntimo do texto ao ponto de entender suas entrelinhas. Entretanto, para uma pessoa com deficiência visual severa, por exemplo, é preciso que haja não apenas maior comprometimento, pois não raramente estará usando o tato, para compreender as marcações em primeira pessoa e precisará saber fazer a transcrição do alfabeto romano para os pontos do Braille.
Ainda nos referindo à deficiência visual, existe outro tipo de relacionamento entre os deficientes com reduzida visão e que usam esse resíduo que têm para internalizarem o que leem. E outros movimentos de apreender o conteúdo texto-informacional acontecem quando alguém lê ou declama o texto, contando uma história e fazendo o enredo ganhar vida. A voz e seu timbre, tempo e tom fazem as honras desse tipo de leitura. Essa relação é diferente de alguém que depende de ouvir o texto por um sintetizador, com a voz robótica.
Em nosso curso, disponibilizamos os audiofascículos, um instrumento de acessibilidade, e também apostamos nos podcasts/radioaulas, com ricas entrevistas e bate-papos sobre o tema
de cada módulo. Para não usarmos a voz monótona e fria dos sintetizadores (a tal “voz robótica”), por respeito aos nossos alunos, contratamos uma profissional jornalista para realizar a leitura, de forma calorosa
e humana, contribuindo para a leitura acessível e ao mesmo tempo afagando aqueles que não dispõem na sua rotina de muito tempo para leitura e/ou que conseguem absorver melhor o conteúdo com essa leitura assistida.
Esperamos que tenham gostado.
A forma na qual as pessoas com deficiência auditiva podem interagir, se apropriando de textos, é primariamente através da leitura, mas aqui é necessária a lembrança que o conteúdo textual pode não ser inteiramente compreendido, pois existem palavras que não são traduzidas em perfeito paralelo a Libras, que normalmente é a forma mais usada na comunicação geral dos surdos no Brasil. Portanto deve-se fazer uso de figuras, ilustrações e indicações gráficas para sustentar e auxiliar o texto em questão.
Você sabia que as pessoas com deficiência auditiva são consideradas surdas? “Surdo-mudo” não é um termo adequado, pois o fato de uma pessoa ser surda, não significa que ela não possa falar. Vamos ter esse cuidado?
Estes aspectos respeitados e promovidos estão ligados à parte operacional do exercício, mas a principal iniciativa para o surdo é fazer com que estas ferramentas e iniciativas possam promover a apreensão e imersão ao enredo, ao contexto e à informação.
Quando lidamos com pessoas que têm pouca mobilidade de locomoção, podemos cair na armadilha de pensar ser fácil promover a inserção delas em práticas de mediação da leitura. Temos que ter em mente que, normalmente, as pessoas com dificuldade de mobilidade já possuem uma condição corporal diferenciada no que tange à postura, forma de sentar, tempo de concentração, por exemplo. Isso pode afetar sobremaneira o acesso ao texto, ao contexto e às práticas e, consequentemente com a leitura, modificando o seu relacionamento com a obra literária, com o grupo e o mediador. São fatores que devem ser observados ao conhecer o perfil dos leitores que irão fazer parte da mediação.
É importante ressaltar que há, ainda, pessoas com deficiências múltiplas e deficiências severas e que, por um motivo ou pelo outro, nunca são protagonistas de suas vidas. Será que isso é justo? Se por um lado, muitas vezes não temos como resolver e mesmo aliviar as necessidades que estas pessoas deveriam receber em diversos aspectos que lhes são subtraídos, pelo menos devemos estar atentos para não nos furtar de oferecer-lhes aquilo que nos compete e nos é possível. Assim, os mediadores da leitura deverão exercer toda a sua sensibilidade para conhecer e reconhecer a diversidade do público, bem como desenvolver todos os esforços para a inclusão.
Segundo George R. R. Martin, um dos autores mais lidos dos últimos anos e autor da série As Crônicas de Gelo e Fogo, “um homem só tem direito a viver uma vida, mas o leitor pode viver mil vidas” (2010).
Jamais uma pessoa pode ser excluída ou penalizada de alguma forma pela falta de acessibilidade aos suportes informacionais e de leitura. Mesmo que seja alguém para emprestar a voz e o tempo para uma boa leitura ou conversa. A acessibilidade, vale destacar, está longe de ser exclusivamente algo relativo apenas às possibilidades ferramentais de se estabelecer uma relação física com o que se está lendo. A partir da mediação acessível e da leitura possível do mundo que precede a leitura da palavra (FREIRE, 1984), outras possibilidades se apresentam e convidam os leitores a participar de um ambiente cheio de descobertas e soluções criativas para os males do cotidiano e da alma.
Outro fator que deve ser mencionado é relativo ao percurso que o sujeito fez e faz durante sua vida. No qual ele, sem se dar conta, se contrapõe frente ao conteúdo que lê, tudo que existe no “banco de dados” da memória, impressões relativas ao que foi lido, ao que foi aprendido, adaptado aos conceitos outrora percebidos e ponderados. Das experiências vividas, nascem muitas histórias, aprendizado e conhecimento. Essas reflexões advindas do que foi vivenciado na “timeline” da vida, é influente no que se compreende como a forma de interpretar e modificar um texto, levando em consideração fatores intrínsecos e transversais ao vivido. O contexto sócio histórico, por exemplo, faz o invólucro do arranjo informacional interno ao leitor. Os fatores externos também são determinantes e fazem parte do que leva um individuo a perceber e o que ele pode extrair do que é lido.
Mediar a leitura de forma acessível e sensível, mais do que propor para um individuo conhecimentos do que está descrito, dito e escrito é apresentar a possibilidade autônoma e inclusiva de estabelecer e desbravar seus próprios caminhos, uma vez que os elos com os conteúdos que são gerados por terceiros acabam por se assemelharem a “pontes” que levam ou possibilitam impressões hermeticamente fechadas com impressões cheias de ideologias de quem as proporcionou, seja pelo tom de voz de uma leitura, ou por comentários feitos em uma nota de rodapé e/ou a partir de uma forma de se expressar ou da facilidade de chegar naquela estante, em uma biblioteca. O fato é que, nesse caso, a leitura tenderá a ser viciada.
Por outro lado, a mediação leitora e acessível que despreze a ponte e tome a forma de uma rede, de uma teia, compreende que o mundo está irremediavelmente enfronhado em ligações que influenciam e reverberam umas nas outras, tessituras que para além de nos ligar, dita como somos, nas formas como também podemos nos posicionar frente aos delírios e vicissitudes da vida cotidiana, de suas artimanhas, desejos, construções e conquistas.
Estar à deriva no oceano de informações é não ter ferramentas para estabelecer relacionamentos com a água. Sem a navegabilidade, o mar torna-se obstáculo, ao invés de plataforma de locomoção. Acessibilidade para leitura é permitir a mediação do conteúdo, de forma que as ferramentas que o sujeito dispõe sejam sinérgicas para que a construção do texto, verbal e não verbal, se faça componente de um ciclo cujas partes são formadas pela cultura do indivíduo e suas relações com o meio em que vive, pelo que ele apreende do texto, segundo sua trajetória de vida e das reflexões que este sujeito pode fazer de acordo com suas capacidades.
A inserção qualitativa na chamada sociedade da informação está na equidade (igual tratamento e disponibilidade) de oportunidades, com uma visão inclusiva e acessível a todos. Nessa sociedade, onde a aprendizagem continua ao longo de nossas vidas, a educação não deve apenas distribuir informação, mas também, construir autoconfiança, criticidade e habilidades sociais, bem como ajudar as pessoas a se realizar através da identificação de seus talentos, possibilidade e ideias criativas (BELLUZZO, 2007).
O ciclo de aprendizagem e desenvolvimento é basilar para o êxito de uma civilização autônoma, crítica e democrática, estabelecendo a valoração dos significados das palavras competência, equidade, direito, inclusão e autoconfiança.
Garantir que um suporte informacional tenha o tratamento adequado para ser usado de forma qualitativa pelos leitores com sua peculiaridade sensorial, entre outros ganhos, faz a autoconfiança ser valorizada, apresentando para a pessoa com deficiência que existem condições para que ela, segundo seus próprios conhecimentos, também possa ser autônoma em sua busca por informação e de leitura.
Com a acessibilidade, as pessoas com deficiência podem navegar, não como meros tripulantes ou passageiros, mas assumem a posição de comandantes de suas embarcações, entendendo os ventos e as marés, decidindo o destino e lendo o caminho nos mapas, se orientando pelas estrelas e escolhendo por quais caminhos seguir. E se quiser seguir.
De posse de tantos conhecimentos adquiridos nesse curso, que tal você organizar uma prática de leitura que possa ser acessível para pessoas com necessidades especiais? Busque conhecer o perfil das pessoas que fazem parte de sua comunidade. Há pessoas com deficiências visuais, motoras, auditivas, intelectuais? Como você pode contribuir para que elas tenham acessibilidade na mediação da leitura?
BELLUZZO, R. C. B. Construção de mapas: desenvolvendo competências em informação e comunicação. 2. ed. rev. e ampl. Bauru: Cá Entre Nós, 2007.
BRASIL. Decreto nº 5. 296, de 2 de dezembro de 2004. Diário Oficial da União, Brasília, 3 dez. 2004. Disponível em:
Link Acesso em: 5 abr 2018.
FREIRE, P. Extensão ou comunicação. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983.
______. Pedagogia do oprimido. 17. ed. Rio de Janeiro: Paz e terra, 2005.
MARTI N, George R. R. A guerra dos tronos: crônicas de gelo e fogo. Rio de Janeiro: Leya, 2015.
PASSERINO, L. M.; MONTARDO, S. P. Inclusão social via acessibilidade digital: proposta de inclusão digital para pessoas com necessidades especiais. E-Compós, Brasília, v. 8, 18 p., 2007. Disponível em:
link Acesso em: 25 jun. 2018.
É bibliotecário, graduado em Biblioteconomia e mestre em Ciência da Informação, ambos pela Universidade Federal do Ceará (UFC). É pesquisador na área de Mediação, Inclusão e Acessibilidade.
É ilustrador, chargista e cartunista (premiado internacionalmente) e xilogravurista. Formado em Artes Visuais pelo Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Ceará (IFCE). Escreve e possui livros ilustrados nas principais editoras do Ceará e em editoras paulistas.